Edição 222 | 04 Junho 2007

Denise Cogo

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Pesquisar é a paixão de Denise Cogo. Graduada em Jornalismo e Letras pela UFRGS, ela escolheu a comunicação como carreira. Ainda jovem, ganhou um prêmio de Jornalismo e viajou à Ásia e à Europa, onde se abriram muitas portas para sua carreira. Com mestrado e doutorado no currículo, Denise conquistou o espaço merecido na pesquisa, onde hoje desenvolve um projeto juntamente com a Universidade Autônoma de Barcelona. Nas horas livres, Denise gosta de ler obras de autores latino-americanos, como Isabel Allende , e ir ao cinema, encontrar amigos, viajar, além de fazer hidroginástica, que pratica com disciplina. Conheça um pouco mais de Denise Cogo na entrevista a seguir.

 

Origens - Nasci em Porto Alegre em 1964, às vésperas da ditadura no Brasil. Meu pai se chama Hélio e minha mãe Sirley. Meu pai foi funcionário público estadual e minha mãe professora de música. Tenho um irmão mais velho, que mora em Porto Alegre.

Infância - Minha infância foi muito na rua, criança de rua mesmo, meio indomável. Morei em uma casa no centro de Porto Alegre até os seis anos e depois a família se mudou para um apartamento na Avenida Ipiranga, que, na época, já era muito movimentada. Brincávamos na calçada mesmo. Minha mãe sempre se preocupava muito. Lembro de gostar de experimentar brinquedos, corrida, tudo o que aparecia. Tive muitas passagens pelo pronto-socorro, por quebrar a perna, destroncar o braço, pois gostei sempre de aventuras.

Estudos - Sempre gostei de estudar muito. Primeiro, passei o jardim de infância no Pica Pau Amarelo, uma escolinha que ainda existe. Estudei, depois, em escolas públicas. Na Ildefonso Gomes, fiz o primário, e o restante fiz na Inácio Montanha, onde também completei o Ensino Médio Profissionalizante. Não tinha muita escolha na época devido a uma reforma de ensino do governo e tive que cursar o técnico. Acabei escolhendo o Turismo. O que eu mais gostei foi de estudar francês, pois havia bons professores no curso.

Comunicação - Quanto à graduação, estava entre cursar Letras e Comunicação. Queria ser tradutora e intérprete ou jornalista. Decidi cursar Jornalismo e, depois de dois anos, iniciei Letras, ambos na UFRGS. Fiz estágio na UFRGS, em fotografia e assessoria de imprensa, e, mais tarde, acabei sendo contratada pela universidade. Em Letras, cheguei a fazer algumas traduções na época para revistas técnicas, mas não continuei. Trabalhei também como jornalista freelance para jornais de empresa e jornais de bairro. O trabalho na assessoria de imprensa acabou ficando muito rotineiro e eu resolvi tentar outros rumos. Fiz seleção e comecei a cursar o mestrado em Comunicação na USP.

Oportunidade - Recebi um prêmio de jovens jornalistas na Tailândia com um trabalho escrito em francês. Era um artigo sobre crítica de cinema e televisão. Havia, então, um escolhido de cada continente. Fui escolhida pela América Latina e fui para Bancoc, com tudo pago. Comprei um euro-pass e aproveitei para fazer um tour pela Europa. Fui à Itália, onde encontrei amigos e viajei de carro, e também à Suíça e à França, de trem. Dessa viagem, conheci, na Itália, uma ONG chamada Centro Orientamento Educativo, onde acabei, mais tarde, fazendo, em parceria, um projeto de vídeo comunitário com as crianças da periferia de Porto Alegre. No ano seguinte, eles convidaram esses jovens jornalistas para irem a Roma e a Milão, a fim fazer um estágio de quinze dias para jornalistas africanos e latino-americanos. Nessa oportunidade, voltei para a Europa e fui para a Espanha pela primeira vez. Foram experiências de vida e profissional que me abriram muitas portas. Retornei ao Brasil e iniciei o mestrado em Comunicação na USP. Depois de um tempo lecionando, iniciei o doutorado, também na USP.

Trabalho - Vim para a Unisinos em 1990, participei e passei em uma seleção de professores. Comecei na disciplina de Introdução ao Jornalismo e gostei muito. Logo que iniciei, começou uma greve do professores na Unisinos, a única, pelo que eu lembro, a ocorrer até hoje. Nessa época, eu havia recebido o prêmio e eu pude viajar para recebê-lo. Quando voltei, lecionei por mais um ano e pedi licença para fazer o mestrado em São Paulo.

Pesquisa - Envolvi-me com a pesquisa, que ainda estava iniciando na Universidade. Em um núcleo de pesquisa, coordenado pelo professor Pedro Gomes, estudamos recepção, juventude e televisão, e publicamos duas pesquisas com esse tema. Depois de cursar o doutorado, retornei à Unisinos, para lecionar e fazer pesquisas. Coordeno um projeto de cooperação acadêmica internacional, há quatro anos, chamado Brasil–Espanha, financiado pela Capes e pelo Ministério da Educação da Espanha, que envolve intercâmbio entre os grupos de pesquisa Mídia e Multiculturalismo e Processocom da Unisinos com a Universidade Autônoma de Barcelona. Os pesquisadores passam dois meses por ano aqui, nós passamos dois na Espanha, e os alunos também vão para fazer estágios de doutorado.

Família - Fui casada durante sete anos, não tenho filhos, mas já tive um cachorro. Já morei em São Leopoldo, mas Porto Alegre é a minha casa.

Horas livres - Gosto de fazer muitas coisas boas em meu tempo livre. Viajar, ler, ir ao cinema. Eu adoro cinema e dvd. Ultimamente, tenho visto muito cinema europeu. Minha filmografia se ampliou muito com as viagens. Gosto muito do cinema argentino também e de séries retrôs, como A feiticeira, Jeannie é um gênio e Os monstros. Saio também com amigos, para conversar e beber vinho.

Esporte - Faço hidroginástica, três vezes por semana. Há três anos, uma médica me recomendou fazer o exercício como forma de tratar o estresse. Sou bem regular no exercício. Quando vou para uma viagem mais longa, me matriculo na academia e sigo fazendo. Caminhei muito tempo e, no tempo do colégio, joguei vôlei e ganhei medalhas em torneios.

Autor - Sempre gostei da América Latina. Marcou-me muito Gabriel García Márquez , Isabel Allende e Pablo Neruda . Gosto também dos livros sobre a ditadura. Quando eu estava na universidade, estava iniciando a anistia e começaram a circular livros sobre esse tema. Li todos os livros do Fernando Gabeira e de outros autores que denunciaram o que aconteceu nos anos de ditadura. Hoje eu leio um pouco de tudo, mas muitos livros acadêmicos, o que faz sobrar menos tempo para a ficção.

Unisinos - Estou há muito tempo na Unisinos: 16 anos. Com a pesquisa tenho uma relação mais direta com a Universidade, pois me dedico exclusivamente a isso. Acompanhei muitas fases da Unisinos, como a montagem da pós-graduação, que me deram muitas experiências institucionais. Isso é bom e ruim, pois entendemos muitas coisas que estão acontecendo com essa experiência do tempo, mas, ao mesmo tempo, acaba faltando um certo distanciamento para entender outras. Na Unisinos, consegui abrir um espaço de trabalho para uma área que eu gosto muito, a pesquisa. Fiz amizades importantes, reencontrei colegas, que, hoje, são companheiros mesmo. Eu penso que aproveitei muito as possibilidades que a Universidade ofereceu. Agora, vou cursar o pós-doutorado por um ano em Barcelona com o apoio da Universidade, com salário e bolsa da Capes, e com tempo também para dedicar à pesquisa.

IHU - Acompanho o trabalho pelo site e vejo atividades programadas às quais gostaria de ir. É uma programação fantástica, que sempre me atrai, mas que raramente se encaixa na minha agenda. É, no entanto, o meu sonho de consumo acadêmico. Eu vejo uma abertura cosmopolita para o conhecimento no Humanitas. É um lugar com interesses multidisciplinares, importante na Universidade. Espero que um dia o Humanitas se abra para desenvolver e financiar a pesquisa acadêmica multidisciplinar, nesse diálogo extra-acadêmico. Desejo muitos anos de vida para o Humanitas.

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