Edição 219 | 14 Mai 2007

Perfil Popular - Leonardo da Silva

close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

IHU Online

“A gente aprende todos os dias, em qualquer profissão que estiver.” Oriundo de Carazinho, Leonardo da Silva adora a companhia das pessoas. Aos 44 anos, tem orgulho das amizades que conquistou em sua vida. Sempre trabalhando, ele construiu uma família grande, com dez filhos e conquistou a casa própria. Na Cooperativa Bom Fim, de São Leopoldo, onde mora e trabalha, fazendo fretes, encontrou o seu lugar. Conheça um pouco mais de Leonardo da Silva na entrevista a seguir.

Origens
Leonardo nasceu em Carazinho, mas a família é de São Gabriel. De uma família grande, além do pai Luiz e da mãe Eva, Leonardo ainda tem quatro irmãos, com quem brincou na infância. “A gente não tinha esses brinquedos, então inventávamos brinquedinhos de pauzinho, brincava com os bichinhos, como galinha.”

Mudanças
Devido à profissão do pai, a família mudou-se muito. Depois de Carazinho, foram para Cruz Alta, onde Leonardo cresceu. Logo a família se mudou novamente, dessa vez para Uruguaiana, na fronteira do Estado. “Nos adaptamos rápido, porque o meu pai sempre teve um convívio muito bom com as pessoas. Quando chegávamos, elas estavam praticamente esperando a gente.” Leonardo relembra o pai na época, que voltou a estudar para alcançar um cargo melhor. “As pessoas queriam que a gente estivesse perto, principalmente do meu pai. Ele passou a ser motorista quando trocamos de cidade.” A última parada da família foi em São Gabriel, onde moram até hoje. “Lá eu cresci e fiquei até completar 22 anos.”

Estudos
Leonardo completou o Ensino Fundamental, mas saiu da escola durante o Ensino Médio para trabalhar. Ele atuava em uma ferragem, Barraca São Sebastião, e, mais tarde, entrou para o exército, não conseguindo conciliar as duas atividades. “Era difícil estudar à noite.”

Soldado
Leonardo relembra com saudades os quatro anos que passou no quartel. “Eu sempre quis entrar para o exército. Achava bonito a gente correndo na rua, todo mundo fardado.”  Lá, ele teve a oportunidade de conhecer muitas pessoas, sua atividade preferida. “Conheci muita gente, de Lajeado, Venâncio, de todo o Estado.” A primeira função de Leonardo era cozinhar para os soldados, aprendendo, a cada dia, mais um pouco. “Todos ganhavam uma função e a minha era de rancheiro. Eu gostava muito.” Logo ele foi promovido a motorista. “Tinha o sargento Pillin, que ensinou a gente a lidar com o veículo. O meu pai tinha me ensinado, mas ele me ensinou mais ainda. Eu dirigia carro pequeno e no quartel peguei até caminhão grande.” Leonardo levava pontes para os soldados em lugares com dificuldade de travessia.

Oportunidade
Ao sair do quartel, Leonardo aproveitou a sugestão de um amigo e foi para Porto Alegre, a fim de fazer o teste para a Brigada Militar. “Ganhávamos o polígrafo e estudávamos em cima disso para depois fazer a prova. Não consegui passar. Era uma oportunidade que teve que eu queria aproveitar.” O mesmo amigo levou Leonardo para Novo Hamburgo, para onde se mudou. “Ele comentou que lá tinha bastante serviço, que podia morar uns dias com ele até arrumar um lugar para morar.” Em uma semana, Leonardo estava empregado. Ele foi contratado pela extinta rede de supermercados Poko Preço, onde fazia serviços gerais. Nesse trabalho, Leonardo entrou em contato novamente com o que gosta mais: as pessoas. “Eu gostava das pessoas que trabalhavam lá, fiz amigos novos, pessoas muito boas, que trabalhavam muito, sem esperar pelo outro para fazer as coisas. A cada um que entrava a gente já explicava que lá ninguém esperava por ninguém para fazer alguma coisa, que se estivesse errado a gente ajudava. Tinha muito ajuda e amizade entre os colegas.”

Amizade
Desde a infância, Leonardo adora fazer amizades novas. “Desde que saí de São Gabriel fui crescendo lidando com as pessoas. Eu sempre gostei disso, de conversar, brincar com as pessoas. Minha vida é em volta das pessoas.”

Trabalho
 A oportunidade bateu à porta de Leonardo novamente. Um amigo ofereceu uma vaga para uma lancheria no centro de Novo Hamburgo. “Falei com o meu gerente, expliquei que lá eu iria ganhar mais e ainda ia ter alimentação, então fui. Lá eu fazia xis, atendia no balcão, fazia sucos.” Com a crise do setor calçadista da região, o trabalho na lancheria também foi afetado. Diante disso, Leonardo aceitou outra oferta de emprego em uma lancheria perto de sua casa. “Lá eu fazia as mesmas coisas que na outra, mas eu também podia trabalhar na chapa, fritando os bifes. Eu gostava de fazer isso e atender as pessoas. Conhecia muitas pessoas novas, que é o que eu mais gosto.” Sempre no ramo da alimentação, o próximo passo de Leonardo foi a pizzaria Galpão, onde aprendeu a fazer pizzas.

Reencontro
Leonardo retornou para São Gabriel quando o pai ficou doente e acabou reencontrando Solange, amiga e futura esposa. “Naquela época, ela não queria namorar, pois tinha saído de um relacionamento. Eu falei com a minha mãe e a tia dela para tentar convencê-la e deu certo; hoje ela é minha esposa.” Diante da resistência de Solange em namorar, Leonardo voltou para Novo Hamburgo, mas sem desistir da idéia. Quando entrou de férias ele voltou à cidade para reencontrar Solange. “Falei para a minha mãe que ela estava com dificuldades na família, pois não tinha lugar certo para morar e ainda tinha uma filha. Pedi para minha mãe oferecer um serviço para ela, para cuidar da casa e ela se mudou para lá.” Leonardo aproveitou o período em casa para se aproximar ainda mais da namorada, e no fim, convidou-a para morar com ele em Novo Hamburgo. “Ela disse que queria pensar. Acabou decidindo vir para experimentar.” Hoje, depois de vinte anos, o casal tem dez filhos e oficializou a união com um casamento em 2006.

Cooperativa
Diante da responsabilidade de sustentar a família, Leonardo envolveu-se com o trabalho da Cooperativa Bom Fim. Ele trabalhava com uma carroça, realizando reciclagem, quando surgiu a oportunidade de comprar um terreno na cooperativa. “Primeiro eu comprei um terreno, mas como o loteamento estava no início e não sabíamos o que iria acontecer, acabamos vendendo. E fiquei a ver navios. Quando a cooperativa se estabeleceu eu tive que sair de lá, pois estava morando em um terreno que não era meu. Mais tarde, comprei outro lote.” Hoje, Leonardo trabalha diretamente com a cooperativa, realizando fretes com a carroça. No Bom Fim, também conheceu a igreja Ministério Ágape Internacional. “Lá é onde posso me relacionar com toda a comunidade. Freqüento a igreja e trabalho lá como G12 do pastor, que é a pessoa que recebe as pessoas para os cultos.”

Brasil
Eu tenho esperança que nossos governantes consigam ajudar mais as pessoas. Eles estão fazendo um trabalho muito bom com as cooperativas, que têm parceria com as prefeituras para construir uma moradia melhor, uma vida digna para cada um. Eu não penso só nos meus filhos. Penso também em outras pessoas, que estão mais necessitadas.

Últimas edições

  • Edição 546

    Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

    Ver edição
  • Edição 545

    Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

    Ver edição
  • Edição 544

    Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

    Ver edição