Edição 546 | 16 Dezembro 2019

Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

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Fiar a vida e juntar os pontos. Devagar, unindo as múltiplas cores e origens dos fios. Ajustar, alinhar e tecer. Eis a multiplicidade do pano da vida, que tanto mais bela quanto mais plural for a hospitalidade à diferença. Não se trata de impor ou aceitar a convicção alheia, mas de tecer a vida por um respeito e diálogo com a diversidade política, filosófica e religiosa. O Diálogo interconvicções, debate oriundo do campo acadêmico francês nos últimos anos, tem, justamente, no contato com o Outro um campo fértil de relação com o plano real da vida, com vistas à consciência humana sobre as próprias convicções e a necessidade concreta de respeito e convívio com o mundo contemporâneo, pleno de desafios, contradições e possibilidades.

Faustino Teixeira, professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora, Minas Gerais - PPCIR-UFJF, discute as teias da vida. “Não basta dizer ‘viva o múltiplo’, é necessário desvendar as malhas desta viva relação que constitui a tessitura do real, em que cada coisa, cada ser, está referenciado ao outro, entrelaçado como um dom”, sugere.

Sergio Costa, professor de Sociologia na Freie Universität Berlin (Universidade Livre de Berlim, Alemanha), retoma o pensamento de Ivan Illich ao propor que “com a convivialidade abre-se a possibilidade de incorporar essa multiplicidade de formas sociais que queremos entender e, com o perdão da redundância, conviver em absoluta liberdade com essas diferentes formas sociais”.

Rita Macedo Grassi, mestre em Ciências da Religião pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da PUC-Minas, debate a emergência do diálogo interconvicções e seu impacto político. “Não se trata de um diálogo que tenha como objetivo encontrar uma harmonia ou a paz entre as convicções”, ressalta.

Carlos Roberto Drawin, doutor em Filosofia e professor aposentado do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFMG, discute as formas da tolerância e intolerância nas sociedades contemporâneas. “Quando as pessoas se reúnem não em nome de si mesmas e sim da experiência comum do sagrado, elas podem trazer para a vida concreta aquela posição terceira que possibilita reconhecer o outro em nós”, pontua.

Marcelo Camurça, antropólogo, professor colaborador do Departamento de Ciência da Religião na Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF, pensa as dimensões religiosas para além de uma perspectiva pessoal. “Passamos então de uma estrutura de plausibilidade monista e açambarcadora da totalidade da pré-modernidade religiosa a múltiplas estruturas de plausibilidade e experiências de religiosidade em competição entre si, por ‘corações e mentes’”, frisa.

Mauro Lopes, jornalista e editor do site e canal no YouTube Paz e Bem, pensa o caminho de busca da bondade, apesar de seus desafios. “Grande desafio foi o de – não sem custo para mim – abdicar de uma visão de catolicismo que estava impregnada pelos limites da institucionalidade”, pontua.

Também pode ser lida nesta edição a entrevista de Paulo Suess, doutor em Teologia Fundamental, “’Nova Teologia Política’ – Teologia Pública que se intromete nos conflitos concretos e que dá ao grito dos pobres uma memória”, publicada em Notícias do Dia, na página eletrônica do IHU, por ocasião da morte de Johann Baptist Metz, um dos mais importantes teólogos do século XX. E, também, o calendário de eventos do IHU para 2020, uma concisa retrospectiva da revista IHU On-Line em 2019 e o comentário de João Ladeira, sobre o filme O Irlandês, de Martin Scorsese

Desejamos a todas e a todos um Feliz Natal e um Ano Novo repleto de esperança, saúde e paz!

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