Edição 534 | 15 Abril 2019

Etty Hillesum - A resistência alegre contra o mal

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A revista IHU On-Line retoma o pensamento e a inspiração mística de Etty Hillesum, publicados na última edição de 2018, no número especial de Páscoa deste ano. Fazer memória, sobretudo nos tempos presentes, toma a dimensão de um projeto ético de defesa à vida e às formas de vida. Ao fazer memória de Etty Hillesum, retomamos sua experiência nos campos de concentração da Segunda Guerra, quando a jovem judia não se entrega à dor e tão pouco responde ao ódio na mesma potência. Sua arma é o canto de alegria em meio as dificuldades, como uma flor que irradia calor na resistência gélida e tétrica do inverno totalitário do nazi-fascismo.

É nesse sentido que Faustino Teixeira, professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora, observa nessa jovem mística a arte de encontrar o Deus interior capaz de fortalecer contra todo o mal que a cerca, sem ceder em nada a sentimentos malignos e ainda irradiar amor. “Com todas as condições para dizer o contrário, Etty rechaça em sua reflexão qualquer possibilidade de adesão ao ódio”, sintetiza.

Beatrice Iacopini, formada em Filosofia e em Teologia e é professora no ITCS Filippo Pacini - Pistoia e colabora com a Escola de Teologia da Diocese de Pistoia, lembra que é necessário desenterrar Deus dos corações martirizados. “Etty Hillesum nos ensina a perceber a profunda unidade de tudo, razão pela qual quem se empenha a melhorar a si mesmo, na realidade, muda o mundo”, pondera.

Ceci Maria Costa Baptista Mariani, professora do Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião na Pontifícia Universidade Católica de Campinas e da Faculdade de Teologia, foca sua análise no amor que Etty é capaz de mobilizar. Segundo a professora, pela entrega amorosa, a jovem chega a um Deus que habita nela e reconhece nele a face daqueles que a cercam.

Para Ricardo Fenati, mestre em Filosofia e integrante do Centro Loyola, de Belo Horizonte, a experiência mística de Etty Hillesum é espiritual, e não psíquica, segundo revela em registros das primeiras anotações de seu diário.

Gabriela Acerbi, socióloga e mestranda em Ciências Sociais, descobriu Etty recentemente e não esconde seu encanto. Para ela, a experiência da jovem judia revela que é possível se criar mesmo diante de um abismo. Para ela, os diários de Etty Hillesum são um apelo a essa criação e uma recusa a condicionar-se ao adverso.


Mariana Ianelli, poeta, ensaísta, cronista e crítica literária brasileira, chama atenção para a capacidade da jovem de encontrar Deus não apenas em seu interior, pois “desenterra Deus do fundo do coração dos outros”, livre de qualquer amarra ou preconceito.

Eduardo Guerreiro Brito Losso, professor de Teoria da Literatura do Departamento de Ciência da Literatura da Universidade Federal do Rio de Janeiro, reflete, a partir da experiência de Etty, sobre as inquietudes que afligem o nosso tempo, perversidades que, se não forem apreendidas nas pequenas ações, acabam personificando o pior da humanidade.

Thiago Amud, compositor, arranjador, cantor e violonista carioca, também destaca a importância da resistência alegre. Assim, olha para a forma como as Marchas de 2013 foram apreendidas pelo “neofascismo” e vê na arte uma forma de ativar sentimentos que mobilizam sentimentos positivos como reação.

A edição ainda traz entrevistas com o teólogo Francisco Orofino, em que aborda a mística da leitura da Bíblia em tempos pascais; e com Ricardo Timm de Souza, mestre em Filosofia pela PUCRS e doutorado em Filosofia pela Universität Freiburg (Albert-Ludwigs), em que analisa como o ser humano deixa de se servir das imagens em função do mundo e passa a viver em função delas.

Completando o número 534 da IHU On-Line, o texto de Zeca Oliveira e crítica de cinema de João Ladeira.

A todas e a todos uma boa leitura e uma excelente semana!

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