Edição 531 | 17 Dezembro 2018

O mal-estar na cultura medicamentalizada

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Apesar de inegáveis benefícios farmacológicos dos medicamentos, é difícil sustentar uma postura de atenuar e relativizar a atuação poderosa e notadamente abusiva da indústria farmacêutica. Estas são identificadas por estudiosos do campo por visarem a proliferação contínua do consumo de medicamentos através de recursos eticamente discutíveis. Ao mesmo tempo, pode-se afirmar que convivemos com uma “crise dos vínculos de confiança” nas interações médicas no desempenho de suas atividades. O comprometimento da dimensão ética no âmbito da atividade médica também pode encobrir interesses financeiros que participam da mencionada crise dos vínculos, que pode ser desenvolvida a partir do conceito foucaultiano de governamentalidade aplicado ao campo da medicina: a medicamentalidade. Da mesma forma, podemos nos referir a um epidemiopoder que irá configurar práticas medicamentalizadas, se considerarmos as características básicas que definem o objeto das disciplinas do âmbito sanitário – saúde e vida nas populações. Mais: na atualidade, é a normatividade de base epidemiológica que rege os preceitos e recomendações que pretendem disciplinar as populações humanas no interior dos discursos de promoção da saúde centrados no comportamento saudável com vistas à longevidade com a qualidade de vida acessível ao consumidor. No limite, cada um deve ter metas de gestão da vida como fenômeno biológico configuradas por noções de risco propaladas por mensagens médico-epidemiológicas normativas de porta-vozes da fortaleza, prudência, moderação e temperança em nome de estilos de vida regrados.

 

Luis David Castiel possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil (1975), mestrado em Community Medicine pela University of London (1981), doutorado em Saúde Pública pelo Fundação Oswaldo Cruz (1993) e pós-doutorado pelo Depto. de Enfermeria Comunitaria, Salud Publica y Historia de la Ciencia da Universidade de Alicante, Espanha (2005). Atualmente é pesquisador titular do Depto. de Epidemiología e Métodos Quantitativos em Saúde, Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz.

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