Edição 512 | 02 Outubro 2017

Revolução Pernambucana

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Semeadura de um Brasil independente, republicano e tolerante

Em 6 de março de 1817, eclodiu a Revolução Pernambucana. Inspirado pelo iluminismo, Pernambuco dá um basta à lógica de exploração da capitania, que sustentava a Corte no Rio de Janeiro. O projeto de um Brasil independente, republicano e tolerante estava, pela primeira vez, em pauta.

A IHU On-Line rememora e debate o evento, depois de 200 anos, considerado o primeiro movimento de busca por uma identidade nacional. Embora relegada pela historiografia tradicional à condição de um movimento regional de somenos importância, em detrimento de outros eventos celebrados até com feriados nacionais, a Revolução de 1817 é um marco na história nacional.

Antônio Jorge de Siqueira, historiador, filósofo e professor da Universidade Federal de Pernambuco, recordando o papel do clero no episódio afirma a necessidade de ‘nacionalizar a Revolução Pernambucana, semeadura de um Brasil independente, republicano e tolerante.

Flavio José Gomes Cabral, coordenador do curso de História da Universidade Federal de Pernambuco, destaca que o episódio estremeceu a Corte portuguesa justamente quando o rei se preparava para festejar sua aclamação.

George Felix Cabral de Souza, presidente do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, considera fundamental que o bicentenário da Revolução Pernambucana estimule uma reflexão sobre a incompletude da republicanização do país.

Marcus Carvalho, professor titular de História na Universidade Federal de Pernambuco, analisa as tensões de um contexto radicalmente discriminatório que levou ao levante dos revolucionários de Pernambuco.

Luiz Geraldo da Silva, professor de História da Universidade Federal do Paraná, destaca o papel central que os “afrodescendentes livres e libertos” tiveram para os rumos da Revolução de 1817.

Luiz Carlos Villalta, historiador, professor da Universidade Federal de Minas Gerais, analisa como a revolta parte do atrito da relação entre portugueses e brasileiros e se constitui como uma luta contra o poder hegemônico da Corte e faz uma comparação entre a imprensa brasileira de 1817 e de 2017.

Margarida de Oliveira Cantarelli, desembargadora e membro da Academia Pernambucana de Letras, assinala como a Revolução Pernambucana colocou em prática, ainda que temporariamente, a primeira república brasileira.

Katarina Peixoto, pernambucana, mestra e doutora em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, lança um olhar crítico sobre o sentido do conflito e afirma que os episódios de dois séculos atrás deveriam servir para se compreender a megalomania pernambucana.

O ensaísta e historiador Moacyr Flores analisa o episódio pernambucano tendo em perspectiva a Revolução Farroupilha (1835-1845). Ele destaca que, tanto num caso como no outro, longe do brilho das estrelas dos generais, recai sobre a população a parte mais amarga das revoltas.

Nesta edição também são publicadas as entrevistas com Alex Zanotelli, italiano, jornalista e padre comboniano, que atuou na África, e com Leonard Chiti, jesuíta, superior provincial da Companhia de Jesus que está no Zâmbia e Malawi, com Nola Gamalho, mestra e doutora em Geografia, sobre a gentrificação dos espaços públicos.

Fernando Del Corona comentando o filme Mãe!, de Darren Aronofsky, Bruno Lima Rocha com o artigo “Lavagem de dinheiro e a hipocrisia estruturante do Sistema Financeiro Internacional” e o perfil do Prof. Dr. Antônio Fausto Neto, do PPG de Comunicação da Unisinos, completam a edição.

A todas e a todos uma boa leitura e uma excelente semana.

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