Edição 509 | 21 Agosto 2017

Henry David Thoreau. A desobediência como forma de vida

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Quando Bartleby, o escriturário da novela de Herman Melville, diz ao seu patrão “prefiro não”, ele faz mais do que apenas negar uma tarefa, ele começa uma revolução. É deste caldo cultural que também emerge Henry David Thoreau (1817-1862), que transformou a desobediência em forma de vida livre. Dizer não às regras sociais opressivas, dentre elas a institucionalização da escravidão, significa dizer sim à vida. “Quando lemos Walden, é, agora, impossível esquecer que ele é um exemplo de filosofia como forma de vida”, sustenta Stanley Bates, professor da Universidade de Middlebury, em Vermont, nos Estados Unidos.

A revista IHU On-Line desta semana se debruça sobre o pensamento de Henry David Thoreau e se enfronha nos debates sobre a desobediência civil, reunindo entrevistas de pesquisadores internacionais e nacionais. Na próxima semana, nos dias 29 e 30 de agosto, o Instituto Humanitas Unisinos – IHU promove o VII Colóquio Internacional IHU – Caminhando e desobedecendo. Thoreau 200 anos, na Unisinos Porto Alegre.

Eduardo Vicentini de Medeiros, doutor em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, que contribuiu na realização deste número, apresenta Thoreau e de cada um dos entrevistados que debatem a obra do autor.

Para o curador do The Walden Woods Project, Jeffrey Cramer, a obra de Thoreau tem sua força revolucionária na simplicidade da negação. “O que ele escreveu sobre esta experiência no ensaio hoje conhecido como ‘Desobediência Civil’ tem sido uma influência fundamental ao redor do mundo na luta contra a injustiça”, sustenta.

Kelly Dean Jolley, professor da Universidade de Auburn, nos Estados Unidos, centra-se no minimalismo existencial de Thoreau. “Adoramos ídolos que nos petrificam. Viveremos vidas daquilo que Aleksandr Solzhenitsyn chamou de ‘liberdade amordaçada’ apenas para que possamos ter as coisas que desejamos”, provoca.

Em artigo enviado especialmente para esta edição, o professor Edward F. Mooney, da Universidade de Siracusa, no Estado de Nova Iorque, debate como Thoreau se tornou alvo de críticas. “Thoreau ama provocar com sentimentos inesperados e impopulares. Os sentimentos não se ajustam a um único padrão, fazendo com que seja fácil pinçar sentenças apropriadas para ofender particularmente os incautos”, descreve.

Paulo Francisco Estrella Faria, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, chama atenção para a necessidade de se acordar do sono dogmático. “Ler seriamente é tratar a leitura como a ocasião de um trabalho sobre si mesmo – é reconhecer no texto uma provocação endereçada ao leitor, para que ele reconstrua sua consciência e sua vida”, pontua.

Denise Bottmann, mestra em História pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp e tradutora das obras de Thoreau no Brasil, comenta sobre o processo de transcrição da obra para o português. “A cena da tia morrendo de medo da vergonha que a família passaria, indo à noite à delegacia quitar o débito e pedir que o soltassem, é cômica: ‘Não, já tirei as botas para ir deitar; solto amanhã’. E para convencer Thoreau a sair da cadeia na manhã seguinte? Só saiu dali arrastado”, descreve.

A edição traz ainda as entrevistas com José Antonio Kelly Luciani, professor de antropologia da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, sobre o livro A queda do céu (2015), de David Kopenawa e Bruce Albert, a ser apresentado e debatido em evento promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU e com Dennis de Oliveira, professor da ECA/USP, sobre o conceito de jornalismo emancipador.

Por sua vez, Faustino Teixeira, professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora – PPCIR-UFJF PPCIR-UFJF, por ocasião da morte de Peter L. Berger, recorda a obra e a importância do que é considerado um dos maiores sociólogos da religião da contemporaneidade e Giulio Albanese, jornalista italiano e missionário comboniano, analisa a atual realidade e os desafios da África.

Fernando Del Corona, crítico de cinema, comenta os filmes Dunkirk e Cidadão Ilustre. Leia ainda a crítica internacional de Bruno Lima Rocha, professor da Unisinos, sobre governança global e fluxos financeiros.

A todas e a todos uma boa leitura e uma excelente semana.

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