Edição 206 | 27 Novembro 2006

Editorial

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O mundo moderno é o mundo sem política: Hannah Arendt

Hannah Arendt nasceu em 1906, em Linden, perto de Hannover, na Alemanha. Os pais, judeus reformados, segundo Julia Kristeva, (Le génie féminin. Hannah Arendt. La vie, la folie, les mots. Paris: Fayard. 1999: Tradução brasileira: O gênio feminino. A vida, a loucura, as palavras. Rio de Janeiro:Rocco, 2002), eram críticos do sionismo. Em 1933, ela se exila, escapando da Shoah, inicialmente, em Paris, depois em Nova York, em 1941, tornando-se cidadã norte-americana.

“É preciso querer viver os grandes problemas, pelo corpo e pelo espírito”, disse Nietzsche. Julia Kristeva constata que Hannah Arendt, longe de ser uma “pensadora profissional”, é, à sua maneira, talvez a única filósofa especificamente política.

Se, para os gregos, o projeto político era “viver bem”, para a modernidade é “sobreviver”. Assim afirma Miroslav Milovic, professor da UnB, refletindo sobre o legado de Hannah Arendt, “o mundo moderno é o mundo sem a política, o mundo da economia e das condições da sobrevivência”, ou seja, “a modernidade, aproximando o privado e a natureza da política, anuncia uma específica despolitização”. E o professor continua: “Sobreviver ainda é um projeto político, ou melhor dizendo, em Arendt, é um projeto da negação da política”.

Esta edição que comemora o centenário de nascimento de Hannah Arendt dá continuidade à edição nº. 168, de 12-12-2005, que sob o título Hannah Arendt, Simone Weil e Edith Stein. Três mulheres que marcaram o século XXI, recordava os 30 anos de seu falecimento.

Contribuem nesta edição, além do professor supracitado, Miroslav Milovic, Françoise Collin, que, segundo Julia Kristeva, foi “uma das primeiras a interessar-se, com paixão e finesse, pela obra de Hannah Arendt”, Sylvie Courtine-Denamy, autora do livro Trois femmes dans des temps sombres. Edith Stein, Hannah Arendt, Simone Weil ou Amor fati, amor mundi, Paris: Albin Michel, 1997, Fina Birulés, professora da Universidade de Barcelona e Lisa Disch, da Universidade de Minnesota.

Publicamos também a resenha de Francisco Taborda, Teologia da Faculdade de Teologia do Centro de Estudos Superiores da Companhia de Jesus, de Belo Horizonte, do livro LANG, Uwe Michael, Rivolti al Signore. L’orientamento nella preghiera litúrgica, cuja edição no original inglês e sua tradução em outras línguas, suscitou ampla discussão.

Por sua vez, Gilmar Hermes comenta a 27ª. Bienal Internacional de São Paulo e o professor Attico Chassot, sob o sugestivo título “Por que os bebês choram?” reflete sobre o tema a ser apresentado nesta semana no Ciclo de Estudos Os desafios da Física para o século XXI, A Ciência como instrumento de leitura para explicar as transformações da natureza. Ambos são professores na Unisinos. Lee Smolin, autor do livro A vida no cosmos, publicado pela Editora Unisinos e que acaba de lançar, sem tradução para o português, The trouble with Physics, fala sobre a Teoria do Caos, da Complexidade e das Cordas.

A todas e todos uma ótima leitura e uma excelente semana!

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