Edição 460 | 16 Dezembro 2014

“Em seu eu volta a acontecer o Gênesis” – A interioridade em Santa Teresa

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Márcia Junges e Andriolli Costa / Tradução: André Langer

O teólogo espanhol Secundino Castro Sánchez reflete sobre a cristologia de Teresa de Ávila, relacionando Jesus — em sua corporeidade — como lugar definitivo de revelação e agradecimento de Deus

Durante quase toda sua vida como pesquisador, o teólogo Secundino Castro Sánchez tem se debruçado sobre Teresa de Ávila e sua cristologia. Desta reflexão, ele destaca a interioridade como ponto fundamental para compreender a mística da santa católica, fundadora da Ordem dos Carmelitas Descalços. É na percepção da Bíblia no interior do ser que se produzem experiências de criação e de paraíso. “Em seu eu volta a acontecer o Gênesis”, sintetiza. “Para ela, o recolhimento da mística universal converte-se em imersão nas Escrituras, onde seu eu fica absorto e preso aos seus imensos símbolos.”

Em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, o pesquisador aborda a relação mística e católica das experiências do divino relatadas por Santa Teresa em seus escritos, com grande foco nas corporeidades. “A mística de Teresa nos revela um Deus profundamente afetado pelo humano, ferido pelo amor das criaturas. A encarnação, de alguma maneira, tocou os fundamentos de Deus”, problematiza. 

É a partir desta corporeidade que se explica a cristologia da Santa, que “por instinto sobrenatural, centra toda a sua cristologia na humanidade de Cristo, como lugar definitivo de revelação e agradecimento de Deus”. A humanidade de Jesus é tida por ela como a revelação definitiva. “Não sei se seria muito atrevimento afirmar que ela preferiria falar do ser humano criado à imagem de Cristo, melhor do que à imagem de Deus, como ensina o Gênesis”, levanta. 

Secundino Castro Sánchez é professor de Exegese e Teologia espiritual na Universidad Pontificia Comillas, de Madri. Foi vice-diretor da Faculdade de Teologia na mesma universidade e diretor da Revista de Espiritualidad durante muitos anos. Atualmente é diretor do departamento da Sagrada Escritura. É autor, entre outros livros, de Evangelio de Juan - Comprensión exegético-existencial (Biblioteca Teología Comillas, 2001) e El Sorprendente Jesús De Marcos (Biblioteca Teología Comillas, 2008).

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Como podemos compreender a mística de Santa Teresa sem fenômenos místicos?

Secundino Castro Sánchez - Os fenômenos na mística não são mais que a expressão de algo que acontece no encontro do eu humano com o tu de Deus em intensidade desbordada. A nota mais relevante da sua mística refere-se à percepção interior da Bíblia. Em seu eu volta a acontecer o Gênesis. Produzem-se experiências de criação e de paraíso. Sobretudo, Teresa se sente como uma nova criação de Deus, uma espécie de Terra Santa que Javé por primeiro vai percorrer e depois Jesus o fará. Entende seu eu como o jardim do Cântico dos Cânticos onde se celebram os encontros entre os amantes. Possivelmente foi esta uma das primeiras percepções. Desde logo, é indubitável que a primeira descoberta mística foi Jesus.

A partir dessa primeira aparição foi se elaborando tudo. Depois Teresa se compreendeu como o jardim do Gênesis, como dissemos, onde os quatro rios se confundem com experiências relacionais (oração). Para ela, o recolhimento da mística universal converte-se em imersão nas Escrituras, onde seu eu fica absorto e preso aos seus imensos símbolos.

O coração que se transfigura no Gênesis, no Cântico dos Cânticos, no Cenáculo e na Terra Prometida transforma-se, por sua vez, na Terra Santa que Jesus irá percorrer. E ali acontecerá a cura do cego de nascença, do paralítico da piscina, aparecerá o poço da Samaritana e a Festa das Tendas. Textos citados expressamente por Teresa. Todas estas realidades são conotações das vivências que estão inundando a alma. Trata-se da percepção de Jesus ressuscitado como fundamento do ser (V 40,5), que ele, no contato com sua pessoa, transfigura.

Nesta concepção bíblica da mística realiza-se a história da salvação, mas de forma tão pormenorizada que fica difícil resumir aqui. Basta saber que na Autobiografia há uma “compreensão” de todo o credo cristão, e nas Moradas experimentam-se as grandes passagens de João e aspectos centrais da mística de Paulo .

Fenômenos místicos

Os fenômenos místicos nos deixam entrever, por outro lado, um Deus cheio de sensibilidade. É verdade que também aparece o Deus “tremendo”, que fica profundamente filtrado pela figura de Jesus, que Teresa percebe profundamente humano (V 37,6). Não esqueçamos o tema tão teresiano da sagrada Humanidade. A mística de Teresa nos revela um Deus profundamente afetado pelo humano. Ferido pelo amor das criaturas (V 37,8). A encarnação, de alguma maneira, tocou os fundamentos de Deus.

A espiritualidade teresiana desvestida dos fenômenos místicos é uma experiência profunda da fé cristã, católica. Tenhamos em conta que os estádios supremos de sua fenomenologia têm lugar em momentos litúrgicos. A mística de Santa Teresa inscreve-se assim no essencial do cristianismo: a Ceia. Enquanto o conceito de mística em geral possui antes uma contextura neoplatônica, em Teresa não é assim. Por isso, não se pode englobá-la na ideia geral de mística. Alguém disse que com ela, pela primeira vez, a mística foi cristã.

Às vezes, a fenomenologia mística pode encobrir esta experiência bíblica e evangélica que é o mais essencial dela. Talvez aqui resida a explicação para o fato de que a comunidade católica se sinta tão bem refletida em Teresa. Soube lê-la e compreendê-la para além dessa fenomenologia de êxtase na qual a iconografia e certa literatura barroca e ainda atual a envolveram.

Mas se algo aparece chamativo e impressionante aqui são Deus e o homem abertos à relação. Deus que sai ao encontro de sua criatura que busca como amante ludibriado, que reclama o amor dolorido. É talvez o mais essencial da mística de Teresa. Deus mendigando amor e o homem gemendo pelo mesmo galanteio. Os fenômenos místicos das Moradas vão nessa mesma direção.

Em um dos seus livros, as Meditações sobre o Cântico dos Cânticos, Teresa apresenta alguns graus de oração, como recolhimento, quietude e união sem fenômenos místicos. Nessa obra encontra-se em parte a resposta a esta pergunta, ao mesmo tempo que nos convida a fazer outro tanto com toda a sua mística.

 

IHU On-Line - Como se caracteriza a experiência transcendental em Santa Teresa?

Secundino Castro Sánchez - Antes da sua entrada na mística Teresa captou a transcendência sem esses fenômenos que a caracterizam. Pode-se afirmar que o transcendente é congênito na Santa de Ávila. Já em sua infância percebe uma realidade muito diferente daquela que nos dão os sentidos.

Seu despertar à consciência coincide com a percepção de algo que ela compreende como o destino do ser aberto a uma felicidade sem limites, e que só acredita poder encontrar nesse espaço.

É verdade que isso está em conexão com a fé recebida, mas nela essa fé é acolhida em dimensões de tensões tais que obscurece qualquer outro propósito. Por isso, é preciso reconhecer em seu eu, em seu ser, apenas amanhecido à reflexão uma reivindicação de infinitude, que nestes momentos implica a fuga do que ela observa como transitório. É sua primeira percepção da transcendência.

Junto com este primeiro lampejo, devemos situar a vacuidade do real, que se mostra para ela como pura ilusão. Em um primeiro momento tudo é uma imensa mentira para ela. As coisas e as pessoas não respondem ao que parecem anunciar. Estaríamos em uma sensação prévia à concepção agostiniana do mundo, que mais tarde também Teresa atingirá: as coisas como anúncio e reivindicação do autor da beleza.

A experiência transcendental mostra-se também em seu horror à própria liberdade. Daí sua fuga à vida religiosa, onde as decisões de cada momento ficam blindadas por leis inexoráveis.

Outra característica da transcendência deste tempo refere-se à percepção de Deus como realidade suprema e única, Mistério insondável, mas figura agora sem contornos.

 

IHU On-Line - Michel de Certeau  aborda a característica inovadora da mística teresiana no campo da afirmação da subjetividade, algo pioneiro que, segundo o autor, antecipa Descartes . Como analisa a inovação da mística teresiana no campo da subjetividade e da consciência?

Secundino Castro Sánchez - Um dos lugares onde se mostra essa subjetividade muito remarcada é, sem dúvida, no Livro da Vida. Os teresianistas colocaram de manifesto que a autobiografia espiritual não era muito comum na tradição cristã. Nestas análises do eu desnudo diante de Deus, Teresa de Jesus mostra-se verdadeira mestra; seria preciso remontar a Agostinho , onde parece que ela se inspira, para encontrar algo dessa qualidade.

Azorín  reconheceu que os grandes analistas do eu comparados com Teresa são crianças inexperientes (Los clásicos redivivos, Madrid, 1958, p. 40-41). Ela situa nesse ponto a responsabilidade pessoal, ineludível frente ao mundo e frente a Deus. O eu é esse reduto, núcleo, profundidade, centro da alma, onde parece que a pessoa se enfia. Esse eu é o lugar onde se celebra o encontro, mais que lugar, o sujeito que se coloca frente ao tu, que se experimenta aberto e disposto à recepção; é a cidade encantada, a nova Jerusalém.

No livro das Moradas tudo se reduz à análise desse reduto, cheio de profundezas, mas sempre unitário, que primeiro recebe o nome de castelo, como imagem prévia para revestir-se em seguida de figuras bíblicas, que ela utiliza para enaltecer essa realidade que deve ser incorruptível, porque se lhe reclama como sujeito último de responsabilidade e origem de qualquer movimento que nascia fora. Esse eu está esculpido no Cristo ressuscitado (V 40,5). Daí sua transcendência, singularidade e ponto central do universo, raiz da interioridade e do ser.

Aí a configuração do viver cristão fundamenta sua autoridade teresiana, que ela entende como derivação da presença de Deus, mas que em última instância remete a esse ponto. Não poucas vezes o eu entrará em conflito com o comunitário, a Igreja, e Teresa não descansará enquanto não encontrar uma resposta.

 

IHU On-Line - Teresa foi declarada Doutora da Igreja por Paulo VI , em 1970. Quais foram suas principais contribuições para o magistério da Igreja?

Secundino Castro Sánchez - Comecemos com algumas palavras do próprio Papa na homilia da missa do Doutorado: “A doutrina de Teresa d’Ávila brilha pelos carismas da verdade, da fidelidade à fé católica, da utilidade para a formação das almas. E poderíamos ressaltar de modo particular outro carisma, o da sabedoria, que nos faz pensar no aspecto mais atraente e ao mesmo tempo mais misterioso do doutorado de Santa Teresa, ou seja, no influxo da inspiração divina nesta prodigiosa e mística escritora”. O Papa, mais que declará-la Doutora, reconhece-a como tal. Disse: “Acabamos de conferir, ou melhor, reconhecemos o título de Doutora da Igreja a Santa Teresa de Jesus”.

A principal razão se encontraria em seu magistério dos caminhos do Espírito, que veio exercendo no passado e que segue sendo atual em nossos dias. Ressalta, sobretudo, os misteriosos itinerários interiores até alcançar as mais altas cúpulas da união com Deus. É mestra no campo espiritual porque possui uma altíssima experiência de Deus e goza de uma capacidade especial para ensinar aos outros os modos para adquiri-la. Teresa tem uma experiência singular dos dogmas, por isso seus ensinamentos gozam de uma autoridade especial.

Paulo VI alude também à ingente informação apresentada à Santa Sé para a concessão do título de Doutora da Igreja, dando a entender que excede as exigências requeridas. Resumindo, podemos dizer que a raiz última do seu doutorado refere-se à grandíssima experiência de Deus, de que desfrutou e que soube transmitir como caminho para os outros. Por isso o título “Mãe dos espirituais” (Mater Spiritualium), que consta na sua estátua na basílica vaticana, e que o Papa recordava em sua homilia.

 

IHU On-Line - Como podemos compreender o cristocentrismo da espiritualidade em Teresa d’Ávila?

Secundino Castro Sánchez - Permito-me começar com as palavras do teólogo dos nossos dias, Olegario González de Cardedal : “Santa Teresa de Jesus, por instinto sobrenatural, centra toda a sua cristologia na humanidade de Cristo, como lugar definitivo de revelação e agradecimento a Deus, que não tem que ser transcendido para uma essência divina que estaria para além de Jesus” (Fundamentos de Cristologia, I. Madrid, 2005, p. 635). O texto reconhece que Teresa tem uma cristologia e que considera a humanidade de Jesus como lugar definitivo de revelação.

Por outro lado, Teresa estaria totalmente de acordo com as seguintes palavras de K. Rahner : “Ele é (Jesus homem), também em sua humanidade, a realidade criada que nos representa no ato da nossa religião, de maneira que sem o ato orientado à sua humanidade e dirigido (implícita ou explicitamente) por meio dela, o ato religioso fundamental orientado para Deus não atinge sua meta” (Eterna significación de la humanidad de Jesús para nuestra relación con Dios, em Escritos de Teología, III. Madrid, 1967, p. 56).

O cristocentrismo teresiano quer dizer que sua compreensão do mesmo Deus é cristológica, que toda sua espiritualidade tem estrutura encarnatória, que a oração é experiência de Cristo, que desemboca na Trindade, mas sem que nunca desapareça a marca cristológica. Cristologia teresiana quer dizer também que seu próprio eu encontra-se constituído em Cristo. Não sei se seria muito atrevimento afirmar que ela preferiria falar do ser humano criado à imagem de Cristo, melhor do que à imagem de Deus, como ensina o Gênesis.

Só ela conseguiu que a mística se unisse perfeitamente à cristologia. Graças à sua “compreensão” de Cristo, de acordo com determinado autor, a mística conseguiu ser inteiramente cristã. Ela mesma quis que seus dois principais livros, Livro da Vida e Moradas, fossem lidos cristologicamente, escrevendo para isto dois capítulos hermenêuticos inteiramente cristológicos, um para cada obra (V 22; 6M 7).

 

IHU On-Line - Qual é a atualidade teresiana em relação à oração?

Secundino Castro Sánchez - O mais significativo de Teresa neste ponto refere-se à intersubjetividade. Para ela, a oração não é algo abstrato; é relação de amizade. A partir desta consideração, eu ressaltaria o humanismo oracional. Orar é relacionar-se com um amigo. Também deveríamos reclamar aqui o aspecto cristológico, já assinalado. Mas não é menos significativa a presença litúrgica, isto é, a relação que Teresa postula para o ato oracional encontra-a também nas celebrações da liturgia cristã.

Creio que também é de muita atualidade a compreensão da oração como força para a realização pessoal e o encontro com o outro. Não esqueçamos que ela entende que a oração deve estar intimamente relacionada com a vida, com as atitudes. Deve ser continuamente discernida e são as obras que a realizam. Este ponto lhe confere, além disso, grande atualidade, pois hoje não se concebe nada sem que sua execução não se justifique sem a correspondente avaliação. O estilo da oração teresiana adapta-se facilmente a qualquer grupo ou tipo de pessoas. Sua metodologia é sumamente simples, ao mesmo tempo está solidamente fundamentada. Por sua estrutura bíblico-cristológica pode chegar a qualquer âmbito do cristão.

 

IHU On-Line - Por outro lado, como Teresa d’Ávila destaca a dignidade e o lugar da mulher na Igreja?

Secundino Castro Sánchez - Ela viveu em um tempo em que o lugar da mulher na Igreja não tinha nenhum destaque. Basta ler a literatura do momento para aperceber-se disso. A grande maioria era analfabeta. Teresa, desde muito jovem, foi uma voraz leitora e, até de acordo com algum testemunho, já escritora. Isto lhe permitiu, quando chegou o momento, ler não poucos livros de tema religioso. Assim começou a construir-se sua personalidade neste campo, que foi crescendo no trato com teólogos de renome e acompanhantes espirituais, com os quais confrontava sua graças místicas. Às vezes, sentiu-se obrigada a tomar posturas arriscadas e a emitir juízos muito severos contra os próprios tribunais da Inquisição, que chegou a confiscar o Livro da Vida. Como a decisão do alto tribunal demorava, temeu o pior. Mas sua surpresa foi maiúscula quando chegou aos seus ouvidos que o inquisidor maior não o entregava porque o lia para o seu próprio proveito espiritual.

Desde esta autoridade, Teresa deixa a entender as possibilidades da mulher, para as quais, além disso, reivindica sua independência, enquanto se queixa de que os censores de seus livros são todos homens. Seus escritos, sua trajetória e sua Reforma são uma alegação a favor das possibilidades da mulher na Igreja. No Caminho da Perfeição pode-se observar uma crítica muito sibilina contra essa mentalidade que não reconhece nada de bom que provenha da mulher. Pode-se observar também um juízo muito severo contra a situação da mulher casada com respeito ao marido. Na vida religiosa feminina ela via a possibilidade de libertar-se dessa escravidão.

 

IHU On-Line - Quais são as contribuições fundamentais de Teresa para o contexto espiritual da pós-modernidade, em que convivem um retorno ao sagrado e um fundamentalismo ateu?

Secundino Castro Sánchez - Como é sabido, o conceito de modernidade refere-se a uma realidade muito ampla na qual se enquadra a ideia do sagrado. Já a palavra “sagrado”, no neutro, é algo que seria, para Teresa, muito difícil de assumir e inclusive de entender. Para ela, o religioso, chamemo-lo assim, é, em primeiro lugar, algo pessoal, um Tu (com maiúscula). Por isso, penso que sua contribuição nesta amálgama ou magma de coisas consistiria em dar um rosto à transcendência. Por outro lado, o amplo espectro da experiência teresiana e suas múltiplas modalidades poderiam contribuir para enriquecer esse âmbito do religioso e inclusive garanti-lo um pouco mais.

Para o ateísmo, pode servir de impacto. Basta recordar o caso de Edith Stein , filósofa ateia, que encontrou a verdade em sua leitura. Por isso, assinalaria esse aspecto do impacto ou da surpresa, que, normalmente, produzem seus livros, sobretudo o Livro da Vida e o das Moradas. Neles percebe-se como um halo que subjuga, certa inspiração religiosa, como nos recordava Paulo VI.

 

IHU On-Line - Seria possível configurar em poucas palavras a silhueta de Teresa no conjunto da história da espiritualidade?

Secundino Castro Sánchez - Parece como se Teresa tivesse sido gerada desde o princípio do cristianismo; começasse a vislumbrar-se na Idade Média, fosse fruto inconfundível do século XVI espanhol e anunciasse uma religiosidade futura, baseada em uma experiência singular de Cristo, onde a mística fica inteiramente configurada por Ele, obtendo assim que esta fosse inteiramente cristã.

Sofreu influxos de todas as correntes do século XVI espanhol: de franciscanos, jesuítas, dominicanos, São João d’Ávila e São João da Cruz. Direta ou indiretamente encontram-se nela marcas dos principais movimentos de espiritualidade da época: savonarolismo,  erasmismo,  protestantismo, espiritualidade do recolhimento e Inquisição.

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