Edição 455 | 29 Setembro 2014

Metrópole, territórios e a reconfiguração das cidades. Um desafio para os Observatórios

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Redação

Realiza-se, de 29 a 30 de setembro de 2014, na Unisinos, o IV Seminário Observatórios, Metodologias e Impactos: territórios e políticas públicas, promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU e organizado pelo Observatório da Realidade e das Políticas Públicas do Vale do Rio dos Sinos – ObservaSinos, um programa do IHU.

Inspirada pelo evento, a revista IHU On-Line desta semana debate a importância dos observatórios a partir da nova configuração das cidades no século XXI, caracterizada pela presença das metrópoles que questionam radicalmente a hegemonia segmentária, implicando em novas possibilidades e exigências de convivialidade e sociabilidade. Contribuem no debate professores, pesquisadores e ativistas que atuam em Observatórios.

A geógrafa Arlete Moysés Rodrigues, professora na Universidade Estadual de Campinas – Unicamp e representante do Fórum Nacional de Reforma Urbana, sustenta que o papel dos observatórios é avançar no debate tecnocrático para que entendamos os novos arranjos territoriais.

Gerardo Silva, geógrafo e professor adjunto da área de Planejamento e Gestão do Território da Universidade Federal do ABC – UFABC, analisa as configurações dos espaços no século XXI a partir da visada da Metrópole e da Multidão, conceitos formulados e explicados por Negri e Hardt. Segundo ele, “uma metrópole mais convivial, mais cultural, mais cosmopolita, mais tolerante, mais igualitária e mais democrática é uma metrópole mais produtiva. Essa é a grande novidade do século XXI”.

Paula Chies Schommer, professora de Administração Pública na Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC e líder do Grupo de Pesquisa Politeia - Coprodução do Bem Público: Accountability e Gestão, defende que o trabalho dos observatórios é fundamental para a construção de uma cultura do compartilhamento e exercício do poder de forma coletiva.

O mundo do trabalho e seus impactos nas questões territoriais é o tema debatido por Moisés Waismann, coordenador do Observatório Trabalho, Gestão e Políticas Públicas e professor do Mestrado em Memória Social e Bens Culturais da Unilasalle.

Noemi Krefta, ativista social e integrante do Movimento das Mulheres Camponesas e do Grupo da Terra do Ministério da Saúde, argumenta que o trabalho dos observatórios deve se voltar para a publicização e elucidação das dificuldades que se apresentam nos territórios, inclusive do campo, para proporcionar a ampliação do debate referente às políticas públicas.

Dirce Koga, doutora em Serviço Social e professora do Mestrado em Políticas Sociais na Universidade Cruzeiro do Sul, aposta em uma mudança de paradigma na construção das políticas públicas territoriais que leve em conta as particularidades das cidades brasileiras.

O engenheiro civil Francisco de Assis Comarú e professor adjunto na Universidade Federal do ABC lembra que precisamos superar a ideia de que a cidade é uma mercadoria, pois tal perspectiva tende a piorar ainda mais a situação das populações mais pobres.

Complementam esta edição entrevistas com o sociólogo Ivo Lesbaupin, da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, sobre as políticas públicas do governo Dilma; com o filósofo Sandro Chignola, da Universidade de Padova, sobre os dispositivos de controle da vida a partir de Michel Foucault e Giorgio Agamben; e com o crítico cultural Teixeira Coelho, sobre a necessidade de estabelecer uma economia consolidada da cultura.

Por fim, os antropólogos Eduardo Zanella e Miguel Herrera, traçam um panorama da obra do sociólogo britânico Nikolas Rose. Os dois apresentam o seu último livro Neuro: The New Brain Sciences and the Management of Life (Princeton: University Press, 2013), escrito em parceria com Joelle M. Abi-Rached. O livro será tema do evento que ocorre na quinta-feira, dia 09 de outubro de 2014, às 17h30min, na Sala Ignacio Ellacuría e Companheiros, no IHU.

A todas e a todos uma boa leitura e uma excelente semana!

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