Edição 445 | 09 Junho 2014

Internet – parte e ferramenta para construir, mostrar e medir a economia pós-capitalista

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Andriolli Costa

A economista Gláucia Angélica Campregher aborda as mudanças nas relações sociais e de mercado engendradas pela articulação e conectividade em rede

Em uma lógica de eficiência produtiva, aumento da produção em escala e capacidade de inovação estimulada pela concorrência, o Capitalismo traz em seu bojo uma grande racionalidade dos meios. No entanto, para a economista Gláucia Angélica Campregher, nesta racionalidade há também “uma grande irracionalidade em relação aos seus fins”. Isto porque, para ela, é fácil esquecer que o fim não é o próprio Mercado, mas sim o outro. “Uma sociedade baseada da hipermercantilização faz exatamente isso: transforma o meio em fim. Vender, independentemente do que ou para quem”.

Para Campregher, a emergência de uma sociedade mais consciente de seus laços sociais e de interdependência e mais promotora da real liberdade individual, dá origem a uma sociedade pós-capitalista. Um dos grandes sintomas que permitem vislumbrar esta situação, para ela, é que “atualmente não são apenas os analistas que denunciam os abusos do capitalismo”, provoca; “não são mais os comunistas, os deserdados que denunciam a sua irracionalidade”. Em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, ela aborda a relação da economia solidária com a economia da internet, o lugar do não-trabalho na sociedade, discute a "imaterialidade" das relações de trabalho contemporâneas e a atualidade do pensamento marxista.

Gláucia Angélica Campregher é graduada em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Viçosa – UFV, com mestrado e doutorado na mesma área pela Unicamp, estudando os desdobramentos lógico-históricos da ontologia do trabalho em Marx e uma crítica da economia política do “não-trabalho”. Atualmente é professora da UFRGS e pesquisa temas relacionados às novas formas de articulação do trabalho, tanto em arranjos produtivos locais ou na internet, articulando o trabalho empírico com a reflexão do modo como estes arranjos implicam na construção de formas de sociabilidade pós-capitalista.

A professora ministrou, em 29-05-2014, a palestra Internet – parte e ferramenta para construir, mostrar e medir a economia pós-capitalista, parte do III Seminário preparatório ao XIV Simpósio Internacional IHU – Revoluções tecnocientíficas, culturas, indivíduos e sociedades. A modelagem da vida, do conhecimento e dos processos produtivos na tecnociência contemporânea.

Confira a entrevista.

IHU On-Line - O que você compreende por uma sociedade pós-capitalista?
Gláucia Campregher –
Uma sociedade mais consciente de seus laços sociais e de interdependência e mais promotora da real liberdade individual. Veja, o capitalismo é a sociedade onde todo mundo trabalha para todo mundo. Isto é o tal do produzir para o mercado. O mercado é todo mundo e qualquer um, e por isso ele tem uma dimensão de promotor de valores positivos, pois não discrimina ninguém. No entanto, se há algo bom em trabalhar para o outro indeterminado, há também um risco muito grande, o de que nos esqueçamos que o outro é o fim, que façamos do mercado (uma mera instância de mediação) um fim ele mesmo.

Não nos esqueçamos de que só há capitalismo quando terra e trabalho são mercantilizados. Este, em uma sociedade baseada da hipermercantilização, faz exatamente isso: transforma o meio em fim. Vender, independentemente do que, para quem, trabalhar, acumular, consumir, sem parar, sem levar em conta o que se destrói no caminho, a nossa saúde ou o planeta inteiro. O capitalismo carrega, assim, dentro de uma racionalidade dos meios — representada pelo uso cada vez mais eficiente dos fatores, a escala produtiva cada vez maior, a capacidade de inovar superestimulada pela concorrência, etc. — uma irracionalidade muito grande em relação aos seus fins.

Crítica ao capitalismo
Atualmente, não são apenas os analistas que denunciam os abusos do capitalismo, mas é de conhecimento geral os excluídos postos fora e os donos do capital que põem e dispõem todos aqueles. Esse para mim é o primeiro grande sintoma de que o pós-capitalismo já está sendo engendrado: não são mais os comunistas, os deserdados que denunciam a sua irracionalidade.

Os filmes de Hollywood são um bom exemplo. Não falo de filme francês “cabeça” (como o fantástico O Capital, de Gravas ), falo de O Senhor da Guerra (dir. Andrew Niccol, 2005), O Sol de Cada Manhã (dir. Gore Verbinski, 2005), Huckabees - A Vida é uma Comédia (dir. David O. Russell, 2004), todos mostrando quão vazia e ilógica anda a nossa sociedade. Mas aí é que está: por que a própria matriz da indústria cultural se permite ganhar dinheiro vendendo tais mensagens? A resposta é porque apenas a consciência de que os fins postos por este sistema não nos serve. Não é suficiente os trocarmos por outros. Enquanto ninguém coloca o Outro efetivamente na roda, não há porque não ganhar dinheiro com a denúncia.

Acredito que além de sabedores dos problemas da antiga (ainda que atual) sociedade, nós estamos efetivamente experimentando novos modos de produção e de troca que vão além das mediações colocadas pelo mercado. E, aliás, o mesmo vale para o estado, que é, ao contrário do que muita gente pensa, a instituição irmã do mercado no capitalismo. Ou seja, toda forma de experimentação de poder mais participativo, toda forma de driblar as formas de representação, de organização (como os partidos), de estabelecimento de lideranças que vêm sendo experimentadas mundo afora, são amostras grátis da sociedade pós-capitalista que estamos inventando neste exato momento.

IHU On-Line - De que formas a internet colabora para reconfigurar as relações capitalistas tradicionais?
Gláucia Campregher –
Não permitindo que as trocas que ocorram na rede sejam plenamente mercantis. Veja, a internet em si não é boa ou ruim, é porque ela disputa com o mercado ser uma instância de mediações entre humanos que ela é genial. Na rede, os usuários trocam informações, dados, arquivos, fotos, que constroem ali elos, sociedade, mobilizações, festas, jogos, partidos, etc. Que a internet siga sendo não plenamente mercantil.

Mas veja que interessante: a internet tem o lado bom do mercado, isso de ser global, de o outro ao qual nos dirigimos não ser o outro conhecido. Isso é bom! Veja que há um certo pensamento crítico que ao fazer a crítica do capitalismo faz o elogio de sociedade mais fechada que este. Nem sempre visar o outro como fim é um valor positivo. Se o outro é muito próximo, a chance de você estar visando a si mesmo é muito grande. A alteridade real exige o mundo. Para mim esta mensagem é antiga, começa com a cristandade, o Deus uno do amor universal é bem isso, um convite ao outro distante.

Vejo a internet como positiva porque também traz o outro distante para perto de nós, isso nos faz menos autocentrados. Enquanto hoje o mercado aposta na infantilização (o que é o mesmo que autocentramento), a internet é a nossa aposta na socialização. O mercado já foi isso um dia, mas aí foi dominado, dirigido (sob justo a fantasia do contrário, de que era livre) a tal ponto de Braudel  chamar o capitalismo de “o antimercado”. Pois bem, hoje está na nossa vez de chamar a internet de “o anticapitalismo”. Mas insisto, ela não é isto em si e por si, mas porque nós a temos feito assim, como nós brasileiros recentemente, votando um marco legal fiel a estes propósitos. Sem nossa luta, a internet cai na gravitação mercantil.

IHU On-Line - Como o pensamento marxista se atualiza na contemporaneidade? O que precisa ser superado e quais reconciliações devem ser feitas?
Gláucia Campregher –
O melhor do marxismo é, ao meu modo de ver, o seu método. O que sequer vale só para esta corrente do pensamento, mas para todas as demais. Isso por causa mesmo do que eu dizia acima. O pensamento de alguém só é bom se te coloca a pensar com ele, não se te diz o que pensar. Se for bom mesmo, pensando com ele você pode pensar além dele. Ninguém diz a palavra final aqui, não há palavra final se o objeto, o mundo que estamos a pensar, está sempre em movimento.

Mas quando saber se algum pensamento já deu tudo o que tinha de dar? O marxismo já deu tudo o que podia? Acho que não. Acho que a descrição da lógica do movimento deste mundo subjugado aos fins da acumulação capitalista que Marx  faz é ainda superatual. Basta ler o Manifesto Comunista (como muito capitalista fez nos anos recentes do pós-2008). É atual, mas não é suficiente. Imagine se nós não devemos completar o quadro do mundo de hoje com as descrições sobre a financeirização da riqueza que me permite o keynesianismo , por exemplo. Imagine que não devamos incorporar o indivíduo de maneira mais radical que o que o Marx fez, nós que temos agora o fantástico universo da psique desvendada por um Freud  e um Lacan .

Para mim, o marxismo só tem a ganhar se abrindo para um diálogo com outros pensamentos fora do seu círculo, do seu núcleo duro. E o que ele quer é ganhar o mundo para os trabalhadores, não algum torneio acadêmico. Dentro do marxismo esse núcleo tem de derreter para que novas fundições sejam possíveis, e armas mais úteis sejam forjadas.

Um exemplo (que tem tudo a ver com a leitura que faço de que estamos já experimentando o pós-capitalismo) é a “rigidificação” da dialética entre forças produtivas e relações sócias, ou seja, a rígida oposição base x superestrutura. Perry Anderson , que nos anos 1980 nos brindou com o fantástico A crise da crise do marxismo (São Paulo: Brasiliense, 1985), tem um parágrafo numa outra obra sua em que afirma:

Uma das conclusões mais importantes a serem tiradas de uma análise da derrocada do feudalismo europeu é que, ao contrário do que geralmente se acredita em círculos marxistas, a "figura característica" de uma crise de um modo de produção não é aquele em que vigorosas forças produtivas (econômicas) emergem triunfantes das relações de produção (social) decadentes e, de repente, levam a uma maior produtividade e a uma sociedade mais avançada de suas ruínas.  Na verdade, as forças produtivas normalmente tendem a perder tempo e a serem barradas por estas relações de produção. Somente após estas relações serem radicalmente transformadas e reordenadas, novas forças produtivas poderão acumular-se e combinar-se para dar lugar a um novo modo de produção a nível mundial. (Perry Anderson em Passagens da antiguidade ao feudalismo. Porto: Afrontamento, 1989) [Tradução livre].


Isso mostra que não existe isso de forças produtivas novas e vigorosas nascerem rasgando o tecido social evidentemente retrógrado, que é muito mais plausível acontecer que estas forças novas sejam frágeis no início e só muito aos poucos vão esgarçando o tecido social que, por sinal, vai mudando junto e propiciando ao final, mais que impedindo, que estas novas forças vinguem. De modo geral, acho que o que precisa ser superado são todas as oposições rígidas demais, onde se perde a boa dialética das mediações na tentativa de superpositivar um lado frente a outro .

IHU On-Line - Como a imaterialidade das relações de trabalho e produção, proporcionadas pelo ambiente em rede, reconfiguram também o espaço fora do virtual?
Gláucia Campregher –
Antes de qualquer resposta, quero dizer que não gosto muito da ideia do imaterial. Para mim a materialidade está aí igual. Se eu falo com você via Skype, a sua imagem foi materializada. Se você me diz, ok, mas meu corpo não estava ali, eu te digo que você não é só seu corpo, mas suas expressões, seu tom de voz, isso é material também, mas só dada tecnologia (material) traz essa materialidade para mim. Na época das cartas isso não era possível. Eu teria de me virar com a minha imaginação. Se você me disser que isso tinha seu lado bom, que a imaginação era mais ativa, então eu te diria que não necessariamente. A imaginação perde função quando certas funções são assumidas por dispositivos materiais fora de nós, mas, sim, isso pode ser um risco. Só que também a época das cartas tinha seus riscos, e muita gente ficava presa em seus castelos de cartas sem ver a realidade a sua volta.

A meu ver, os espaços de produção de vida (seja de meios de subsistência, seja de meios de convivência) devem ser simplesmente variados. Se forem os mais variados podem possibilitar os mais indicados (a esta ou àquela situação ou finalidade). Vai ter um momento que, de tanto falar contigo, ver suas expressões, saber pelo seu jeito que eu apenas vejo numa tela que você está triste ou alegre, eu vou querer te tocar, quer isso seja possível então!

Sobre o espaço não virtual, vejamos as cidades, por exemplo. Faz tempos que elas são espaços ao mesmo tempo atolados de gente e solitários (não à toa o automóvel é a melhor metáfora do capitalismo que conheço). Eu quero crer que a rede virtual possibilita pensar a rede de tráfego, de praças, os circuitos musicais, de modo a nos apropriarmos mais da cidade. Não à toa eventos como o Comida de rua, os piqueniques, as feiras de trocas, o carnaval de rua, estão voltando à moda, como as quermesses da minha infância. Eu reputo isso também à internet porque aproxima os outros distantes que gostam destas coisas, apresentam estas coisas para quem nunca as viu. Tomara consigamos destronar os carros, aí sim a mediação humana das trocas humanas vai reconfigurar geral os espaços.

IHU On-Line - Sua pesquisa acompanha por um lado os empreendimentos solidários e arranjos produtivos locais e por outro os arranjos em rede, promovidos pela internet. É possível traçar algum paralelo entre eles?
Gláucia Campregher –
Claro, é justo isso que quero mostrar. A Economia Solidária tem uma história muito antiga. Há uma economia da troca não mercantil que sobreviveu como franja no capitalismo que vem de sociedades já há muito desaparecidas. Do mesmo modo, quando a economia da troca mercantil vai mal, estas formas pretéritas (que ainda fazem laços por debaixo dos laços mercantis) salvam as pessoas de sucumbirem. Por isso mesmo, essa economia nunca morre, mas também já mostrou que convive com a economia da troca mercantil sem a revolucionar ou desbancar.

Para piorar, há estudiosos e militantes que acreditam que os valores positivos desta economia alternativa têm a ver com ela não se “sujar” com os valores, práticas, do mercado. Há gente que, acredito eu, romantiza demais o seu lado passado, pequeno, e mesmo o seu lado de derrotado pela troca mercantil. Eu discordo. Quero mais é viabilizar o futuro, o grande, e a vitória sobre o mercado, o que exige que façamos melhor que ele o que ele faz: a mediação com o outro distante. Ou seja, a economia solidária tem de crescer, em escala de produção, de troca, de eficiência mesmo, e a gente só faz isso de um jeito alternativo ao do mercado (e do assalariamento alienante no chão de fábrica/escritório) se sairmos da coisa paroquial. A nossa paróquia tem de ser o mundo.

Economia Solidária

Costumo dizer que a Economia Solidária há tempos cuida dos pobres e que estas formas novas de produção e trocas viabilizadas pela internet é coisa de gente fina, de “gurizada” classe média para cima. Mas estes dois outros já se amam, inclusive por compartilhar experiências comuns. O jovem que não gosta de chefe, de rotina, de diversão falsa, de consumismo exibicionista, em resumo, quer ser mais ativo sobre todos os pontos de vista. Não quer entrar no piloto automático do mercado e morrer de infarto, obeso e triste, mas já sabe também que não pode ficar eternamente no parque cantando When the moon is in the seventh house .

Sem um plano alternativo ele sabe que vai virar suco  ou pilha . Pois bem, o plano alternativo é trabalhar, já que não dá para ser hippie forever. E isso é o que sabem bem os “pobres” da economia solidária. Mas isso, que estes dois têm tudo a ver, é minha hipótese de trabalho. Posso estar errada e a “economia colaborativa” dos novos nerds não ter nada a colaborar com a economia solidária das classes populares, velhas vítimas da troca mercantil. Ou que ela tenha o que colaborar, mas haja um rancor irracional da parte do pessoal da economia solidária que atrapalhe o romance.

IHU On-Line - Em sua tese de doutoramento, em 2001, você identificou novas formas de organização do trabalho que estavam surgindo e cujo significado não estava dado naquele momento. O que percebeu?
Gláucia Campregher –
Acho que ainda hoje este significado não está dado. Na melhor das hipóteses nós o estamos construindo. A própria crise de 2008 para cá parece estar atuando de modos opostos: de um lado promovendo um refluxo e de outro propiciando e até exigindo novos experimentos. No primeiro caso, por exemplo, podemos pensar na confrontação/identificação com o outro distante. É o caso do crescimento dos grupos xenófobos na Europa, trazendo de volta o velho (bode expiatório de sempre) em vez de trazer o novo. No segundo caso, pode-se pensar nos compartilhamentos de comida, dinheiro, trabalho na Espanha, na Itália, etc.

IHU On-Line - Em que consiste pensar o lugar do não-trabalho na sociedade?
Gláucia Campregher –
O não-trabalho que incomoda o capital é o trabalho que não pode ser apropriado, é todo aquele não passível de virar valor coisa (algo vendável) ou que, ao se tornar coisa, não tem seu valor reconhecido (não é vendido). Mesmo quando busca diminuir a quantidade de trabalho necessária a produzir tal ou tal coisa, o que persegue o capitalista é que essa economia de trabalho possibilite a ele comprar mais trabalho alheio. Daí a neurose da acumulação.

O curioso é que se o sistema está sempre a perseguir a poupança de trabalho, está sempre a produzir não-trabalho. Para os que não conseguem viabilizar o seu potencial de trabalho e não tem acesso a ganhos de propriedade, o não-trabalho significa não poder viver (no limite morrer de fome ou de insignificância social). Mas também há os que não sabem viver “sem trabalhar” mesmo tendo ganhos de propriedade (os que não sabem ficar sem fazer nada, os que  não sabem se divertir sem ter o trabalho de comprar, ou o capitalista que não sabe se afastar com a idade, etc.).

Acontece que a velocidade e radicalidade das transformações tecnológicas vão cada vez mais produzindo um outro tipo de não-trabalho, aquele efetivamente tornado redundante. Pode até ser que se cai a participação direta do trabalho nos processos produtivos cresce a sua participação indireta (mormente nos processos organizativos), mas a tendência é que mesmo esta diminua. Não acredito que isto signifique em si mesmo o fim do capitalismo, mas explica porque tantas pessoas vêm ganhando tempo (horas e horas de seus dias) e recuperando o desejo de fazer estes experimentos, ou seja, inventar um novo trabalho.

IHU On-Line - Deseja acrescentar mais alguma coisa?
Gláucia Campregher –
Queria acrescentar apenas que todas estas notícias que vemos esparsas sobre economia solidária, economia colaborativa, iniciativas de cooperação para consumir, produzir serviços, organizar mobilizações, todas as transformações tecnológicas que barateiam sobremaneira o próprio capital (ou seja, máquinas e equipamentos) além de reduzir seu volume físico (pense o que vai significar as tais impressoras 3D), tudo isso pode — mas não necessariamente — significar ao mesmo tempo uma maior possibilidade de nos tornarmos produtivos individualmente, fora das relações normais de assalariamento, e ainda abre, principalmente via internet, a possibilidade de nos articularmos socialmente.

Na produção podemos compartilhar modelos, projetos e fazer muitas coisas sozinhos em casa. Nas finanças podemos dar materialidade à confiança fora dos sistemas bancários tradicionais e democratizarmos muito mais o crédito (como as iniciativas de crowdfunding), podemos criar mesmo moedas alternativas , na política podemos viabilizar a discussão, a participação e o debate com mais facilidade e tirar da mão dos políticos tradicionais as definições centrais (como o 5 Estrelas  faz na Itália); e tudo isso tem por base o superpartilhamento do conhecimento. Quero crer que continuando assim vão cair as leis de copyright e aí o pós-capitalismo vai ficar evidente.

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