Edição 443 | 19 Maio 2014

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Redação

Entrevistas especiais feitas pela IHU On-Line no período de 12-05-2014 a 16-05-2014, disponíveis nas Entrevistas do Dia do sítio do IHU (www.ihu.unisinos.br).

"Está em curso, no Brasil, uma concentração da propriedade da terra"

Entrevista com João Pedro Stédile, líder do MST.

Publicada no dia 16-05-2014

A luta pela reforma agrária, que durante os séculos XIX e XX visava combater o latifúndio para democratizar o acesso à terra, hoje, tem outros adversários: “o capital financeiro, que domina a produção agrícola, as grandes empresas transnacionais e, óbvio, os fazendeiros que se modernizaram e aderiram a essa aliança”, esclarece o líder do MST, João Pedro Stédile à IHU On-Line. Na entrevista a seguir, concedida pessoalmente, quando esteve na Unisinos, Stédile explica quais são as análises internas do MST em relação à reforma agrária, avalia os 12 anos dos governos Lula e Dilma e rebate as críticas, recebidas por setores intelectuais, de que os movimentos sociais foram cooptados pelo Estado a partir da ascensão do PT à presidência.

 

Desnutrição: um problema de saúde pública 

Entrevista com Maria Luiza Garnelo Pereira, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz em Manaus e professora visitante da Philipps University of Marburg, Alemanha.

Publicada no dia 15-05-2014

Os dados em relação à desnutrição crônica das populações que vivem na Região Norte do Brasil, incluindo os indígenas, “são surpreendentes considerando a integridade das florestas e do meio ambiente”, constata a pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz de Manaus, Maria Luiza Garnelo Pereira. Em entrevista à IHU On-Line, ela aponta que os casos de desnutrição estão associados à “intrusão nos territórios desses povos, mudanças nos modos de vida deles e a uma entrada maciça de alimentos industrializados”. E adverte: a alimentação fundamentada em “calorias vazias” afeta não apenas a população indígena, mas toda a população de baixa renda. 

 

Acesso à alimentação é uma questão de direito humano, e não só de política pública 

Entrevista com Paulo Leivas, Procurador Regional da República do Rio Grande do Sul.

Publicada no dia 14-05-2014

O arcabouço legal que garante o acesso à alimentação adequada já existe e é garantido pela Constituição Federal brasileira. Contudo, o Brasil precisa de “instrumentos mais claros e específicos para a exigibilidade desse direito”, avalia o Procurador Regional da República do Rio Grande do Sul, Paulo Leivas, em entrevista concedida à IHU On-Line. A preocupação está relacionada com o fato de que as pessoas não sabem a que órgãos recorrer quando se encontram em uma situação de insegurança alimentar ou de violação do direito à alimentação. “Talvez o que esteja faltando seja um órgão específico para a proteção e a realização do direito à alimentação em cada esfera de governo”, pondera. 

 

O mal-estar social e uma herança de desigualdades. Desafios a serem superados

Entrevista com Tânia Bacelar de Araújo, professora no Departamento de Geografia da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE.

Publicada no dia 12-05-2014

“O governo é um ente que, quando entra na economia, não gera renda; ele apropria a renda que a economia gera”, pondera a economista Tânia Bacelar. “Quando dizemos que o governo paga, alguém está pagando pelo governo, e geralmente são os que têm menos poder de pressão no governo que pagam”.  Em entrevista concedida à IHU On-Line, Bacelar aponta que interferências como essa, acompanhadas de complicadores externos e internos, geraram a “espiral em que estamos há duas décadas”, com uma elevada dívida pública, pontua. A solução para resolver essa questão, contudo, não consiste na manutenção de um estado mínimo, mas sim em “reequilibrar a conta do governo”.

 

O desperdício de alimentos no Brasil

Entrevista com Walter Belik, professor livre-docente pelo Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp.

Publicada no dia 11-05-2014

“Precisamos ter uma medida exata do desperdício, porque existe um certo pânico quando se trata dessa questão”, adverte o economista e professor da Unicamp Walter Belik. Ele alerta que não há uma resposta para a pergunta: Qual é o tamanho do desperdício de alimentos no Brasil?, e explica que as pesquisas realizadas para identificar qual a porcentagem dos alimentos desperdiçados no país não seguem metodologias “compatíveis com a realidade brasileira”. Muitas pessoas que fazem pesquisa de desperdício vão ao varejo ou à feira e perguntam para o feirante quanto ele perdeu. Então, como ele calcula isso? Se ele vende a banana por R$ 3,00 a dúzia e no fim da feira vende por R$ 1,50, ele calcula que perdeu 50%. Nesse caso, ele fez uma conta em valor, ou seja, desperdício para ele é isso. No caso do peso, é complicado também fazer uma avaliação, porque, afinal, como você pesa as coisas? A melancia, por exemplo, tem bastante peso por causa da casca, e consumimos muito pouco dela, embora os nutricionistas insistam para utilizarmos a casca da melancia para diversas coisas. Nesse sentido, se você pesa o que está jogando fora, o peso é a maior parte do componente alimentar daquele alimento. As estatísticas são muito enviesadas por conta disso”, assinala.

 

Para além dos dados. Observatórios de Segurança Alimentar no Brasil e em Cabo Verde

Entrevista com Rumi Regina Kubo, professora no Departamento de Ciências Econômicas e Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS.

Publicada no dia 08-05-2014

“Na análise quantitativa, uma família é mais um número dentro de um todo. O cálculo da média de produção pode dar a entender que existe alimento suficiente para todos. No entanto, disponibilidade não é o mesmo que acesso”, ressalta a bióloga Rumi Regina Kubo. “No Brasil, temos uma série de dados para consulta, disponibilizados pelo IBGE ou outros institutos”, explica a pesquisadora e coordenadora do Observatório Socioambiental em Segurança Alimentar e Nutricional. “Mesmo assim, estes dados são insuficientes para se pensar políticas públicas mais específicas”, afirma Rumi Kubo.

 

Transgênicos e agrotóxicos. Tudo a ver?

Entrevista com Alan Tygel, doutorando no Programa de Pós-Graduação em Informática da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFFRJ.

Publicada no dia 07-05-2014

“Temos um governo com uma cara popular, mas que no fim das contas manteve as velhas estruturas”, avalia Alan Tygel, da Cooperativa Educação, Informação e Tecnologia para Autogestão – EITA, que reúne programadores e educadores populares com o objetivo de colocar a informática a serviço dos movimentos sociais e da luta popular. “O governo federal vem tentando manter uma política dupla-face de apoiar o agronegócio da maneira tradicional, com financiamentos que chegam a R$ 120-140 bilhões para a monocultura de soja e de milho, as quais já ocupam quase 90% do território agricultável brasileiro, e ao mesmo tempo faz políticas de fortalecimento da agricultura familiar camponesa”, diz ele. “O aumento do uso de agrotóxicos no Brasil está intimamente ligado à liberação dos transgênicos no país no ano 2000. Há um aumento gradativo do número de culturas aprovadas e da área plantada de transgênicos”, assinala, antes de completar: “No início dos transgênicos, havia uma falsa propaganda de que eles iriam acabar reduzindo o uso de agrotóxicos e aumentar a produtividade, mas não aconteceu nem uma coisa nem outra”.

 

A exploração ambiental na Amazônia e a promessa de desenvolvimento

Entrevista com Horácio Antunes de Sant'Ana Júnior, professor no Departamento de Sociologia e Antropologia e nos Programas de Pós-graduação em Ciências Sociais e em Políticas Públicas da Universidade Federal do Maranhão – UFMA.

Publicada no dia 06-05-2014

“O ‘atraso’ da região amazônica não é devido à falta de ‘desenvolvimento’, mas sim uma consequência do próprio desenvolvimento”, enfatiza o sociólogo Horácio Antunes de Sant'Ana Júnior. Os reflexos do Projeto Grande Carajás, implementado na Amazônia oriental nos anos 1980, podem ser verificados ainda hoje, 30 anos depois, diante do crescimento econômico proporcionado em estados como o Maranhão, que é a 16ª economia entre os estados brasileiros. Contudo, a aparente expansão econômica “não significa melhoria da qualidade de vida” da população que vive no entorno da região onde se desenvolveu o projeto de exploração mineral, avalia o docente. “A grande expansão econômica tem provocado uma situação que leva a péssimos Índices de Desenvolvimento Humano - IDH, alto grau de exportação de trabalhadores para trabalho escravo, péssima assistência à saúde e à educação, altos índices de violência urbana e rural, somente para citar alguns indicadores”, relata. Ao invés do desenvolvimento, o Projeto Grande Carajás gerou “concentração de terras, a violência e a miséria no campo, o inchaço urbano e maior concentração de renda”.

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