Edição 411 | 10 Dezembro 2012

Tânia Torres Rossari

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Thamiris Magalhães

“Sou complexa, às vezes muito racional, noutras muito instintiva. Além disso, sou crítica – talvez em excesso. Mas me acho alegre, o que contrabalança. Adoro estudar, mas detestaria ser vista como ‘intelectual’ ou, o que é muito pior, uma ‘pseudointelectual’”, admite a professora de Arquitetura da Unisinos Tânia Torres Rossari, em entrevista concedida pessoalmente à IHU On-Line. Trabalhando há 38 anos nesta instituição, Tânia frisa que adora os espaços verdes que temos. Conheça um pouco mais sua trajetória de vida.
Tânia em Paris: viajar está entre os lazeres favoritos

Origem – Nasci no dia 27 julho de 1945, em Porto Alegre, onde moro até hoje. Sou solteira e não tenho filhos. Moro com minha irmã, Jane, que é bibliotecária aposentada. Meus pais são falecidos, sendo que minha mãe morreu há poucos meses, com 94 anos. Dona Carmen era excepcional. Uma mulher saudável, trabalhadora, inteligente, corajosa e dedicadíssima.

Autodefinição – Sou complexa, às vezes muito racional, noutras muito instintiva. Além disso, sou crítica – talvez em excesso. Mas me acho alegre, o que contrabalança. Adoro estudar, mas detestaria ser vista como “intelectual” ou, o que é muito pior, uma “pseudointelectual”. Acho que consegui evitar isso. Intelecto é muito, mas não é tudo. O lado emocional tem que estar bem resolvido. E tem o lado físico. Por exemplo, sou cuidadosa com a minha imagem. Elegância e boa apresentação são importantes. Hoje me volto cada vez mais para as questões ecológicas. A população do planeta está demorando muito para perceber o quanto cabe a nós.

Formação – Sou formada em História, com mestrado em Antropologia Social (Antropologia do Espaço), na Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS – e esse é um link excelente para a arquitetura, o curso em que trabalho desde meu ingresso. Não basta produzir ou viver em espaços. É preciso pensar o Espaço. Também cursei a Escola de Artes da UFRGS por algum tempo – o suficiente para fazer todas as disciplinas das sequências de desenho e pintura – atividades que ainda me dão enorme prazer.

Curso – Durante alguns anos lecionei Estética e Cultura de Massas para o curso de Comunicação na Unisinos, (mas atualmente permaneço apenas com o curso de Arquitetura, que foi, aliás, onde comecei e sempre lecionei, desde 1974). Aqui, minha área é Teoria e História da Arquitetura Mundial.

Unisinos – Ela é minha segunda casa. Trabalho nesta instituição desde 1974. São mais de 30 anos de memórias de todo tipo. E de muita atividade: pesquisa, graduação, extensões, especializações, viagens de estudo com os alunos... Nos anos 1970, coordenei dois salões nacionais de Arte e Arquitetura (chamados Obraberta 1 e 2, respectivamente). Hoje, olhando para trás, não sei como tive aquele pique. Aqui me sinto perfeitamente à vontade. Adoro os espaços verdes que temos, a beleza das plantas, dos nossos patos e gansos. Amo ver alguns gatinhos por aqui, e apenas gostaria de sugerir que tivéssemos algumas árvores como plátanos, bordos, enfim, aquelas que ficam vermelhas no outono. Teríamos um colorido todo especial! E, claro, ar condicionado sempre seria um avanço em certos dias infernalmente quentes!

Lazer – Gosto muito de viajar. Conheço vários países, principalmente europeus, mas ainda quero visitar a Alemanha, a Irlanda, a Escócia e Canadá, por exemplo, que não conheço. Minhas cidades preferidas aí fora são Nova Yorque, Paris, Veneza e, mais perto, Buenos Aires. Aqui no Brasil, admiro a imbatível beleza natural e a alegria do Rio de Janeiro. Ademais, não sei se posso classificar de lazer meus quatros gatos. São fonte de alegria, ocupação e preocupação. Espécie de filhos. Sejamos honestas: às vezes shopping também faz muito bem. Não sou xiita nessa discussão sobre cidade versus shopping center. Os espaços novos podem ser tão interessantes quanto os tradicionais. Não se trata de um “grenal”. Ademais, gosto de romances do gênero dos de Rosamunde Pilcher. O melhor dela, em minha opinião, é Os catadores de conchas, que sabe descrever belíssimas paisagens.

Filme – Para mim, cinema também é lazer e nesse particular sou completamente eclética. Só não gosto de filmes violentos ou de terror. Houve um filme, há muitos anos atrás, que nunca esqueci: pela história, beleza das imagens, trilha sonora: Lawrence da Arábia, de David Lean, com Peter O’Toole no papel título. Ainda no passado, Dança com Lobos.

Religião – Nascida e criada no catolicismo, não sou praticante. Acho que vivo num estranho limiar de materialidade e espiritualidade. Um lado olhando desconfiado para o outro.

Sonho – Nessa fase da vida, não temos mais muitos sonhos. Desejo apenas terminar bem cada dia. E com toda a saúde possível.

IHU – Preencheu um vácuo. É muito importante no contexto da Unisinos.

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