Edição 370 | 22 Agosto 2011

O ecumenismo hoje. Uma reflexão teoecológica

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IHU On-Line

O que significa ser ecumênico no atual contexto contemporâneo? Que avanços e obstáculos existem na busca de unidade das Igrejas cristãs? E, diante da chamada crise ambiental, qual o papel das cristãs e dos cristãos na defesa da Criação?

Por ocasião do 6º Encontro de Agentes para o Ecumenismo (Mutirão Ecumênico) , promovido pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs – CONIC, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB e Conselho Latino-Americano de Igrejas – CLAI, com a participação de agentes ecumênicos dos estados do RS, SC, PR e SP, a IHU On-Line dedica esta edição ao ecumenismo hoje, em perspectiva teoecológica.

Colaboram nesta edição o bispo anglicano Dom Francisco de Assis Silva, primeiro vice-presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), para quem viver um ecumenismo prático significa estar consciente de nossos próprios traços para poder interagir com o diferente. Para o pastor luterano e moderador do Comitê Central do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), Walter Altmann, a celebração dos 500 anos da Reforma protestante deve ocorrer em espírito ecumênico e na noção de que a Igreja da Reforma deve ser sempre Igreja em Reforma (semper reformanda). Já o bispo da Diocese de Chapecó e presidente do CONIC, Dom Manoel João Francisco, afirma que tolerância e alteridade são princípios para confiar no outro, reconhecendo as diferenças entre as Igrejas cristãs.

Ecumênico também significa ser universal, no sentido de assumir o fato de pertencermos ao cosmos como membros da comunidade da vida, afirma o monge beneditino Marcelo Barros. “O ecumenismo é movido pelo Espírito e não pode ser considerado propriedade de nenhuma igreja”, relata o histórico militante do ecumenismo, Anivaldo Padilha, leigo metodista. Já teóloga metodista Nancy Cardoso Pereira explica, a partir de um olhar ecofeminista, que ecumenismo, ecologia, economia compartilham o “oikos”, a unidade básica social, ou seja, três formas de estar no mundo e de organizar a vida no mundo. Nesse contexto, é necessária uma “mudança de paradigma” diante da crise ambiental: uma revisão de ideias, hábitos e práticas rumo a uma nova organização coletiva, defende o teólogo luterano Haroldo Reimer.

Os palestrantes do Mutirão também colaboram no debate. Para o teólogo Erico Hammes, professor da PUCRS, a identidade, também religiosa, só é possível na consciência de si frente a alguém. É construída a partir da não identidade, ou seja, da alteridade. Já o teólogo especialista em ecumenismo e sacerdote católico Paulo Homero Gozzi defende que a espiritualidade ecumênica nos leva a ser honestos com nós mesmos, com os irmãos e com Deus, já que uma identidade sadia não se perturba ao ver a beleza da verdade presente nos outros. O teólogo e assessor do moderador do Comitê Central do CMI, Marcelo Schneider, explica que é preciso superar uma certa redução da agenda ecumênica ao nível das relações institucionais ou de canais de diplomacia e cordialidade entre iguais. Nesse contexto, defender a criação é uma consequência natural do deslumbramento com o seu esplendor e também uma decorrência do conhecimento de um sem-número de ameaças à sua plena manifestação, aponta o ecologista Arno Kayser.
“Economia para a vida implica na preservação do meio ambiente, que é condição de vida, e na vida de todas as pessoas – vida corporal, a única que temos e podemos cuidar de fato – pois a vida eterna é graça de Deus”, afirma o teólogo Jung Mo Sung.

Completam esta edição, o artigo Uma outra cauda longa: concentração diversificada das mídias contemporâneas de João Martins Ladeira, do Grupo de Pesquisa Comunicação, Economia Política e Sociedade – CEPOS -, do PPG em Comunicação da Unisinos, e duas entrevistas.

Na primeira, o economista Andrei Cechin, constata que “estamos usando em um ano o que a natureza demora um ano e meio para recompor”. Segundo sugere Georgescu-Roegen, o aquecimento causado por atividades humanas tem provado ser um obstáculo maior ao crescimento econômico sem limites do que a finitude de recursos acessíveis, explica.

Na segunda, o psicólogo Mário Francis Petry Londero, mestrando do Programa de Pós-Graduação de Psicologia Social e Institucional e residente em Psicologia na Residência Integrada em Saúde do Grupo Hospitalar Conceição, adianta aspectos que abordará no IHU Ideias desta quinta-feira, falando sobre o “acontecer na clínica”. No ponto de inflexão entre uma produção ética e uma produção moral é que podemos pensar o sentido do fazer clínico na atualidade, afirma.

Mirim Trentini, do setor de atendimento da Gerência Serviços de Informação – GSI, é a colega entrevistada desta semana. Ela conta um pouco mais de sua vida, sonhos e esperanças.

A todas e todos uma ótima semana e uma excelente leitura!

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