Edição 336 | 06 Julho 2010

IHU Repórter - Simone Blume

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Márcia Junges e Patrícia Fachin

Secretária da Reitoria, Simone Blume é funcionária da Unisinos pela segunda vez. Formada em Relações Públicas, ela planeja retomar os estudos com um MBA em Gestão de Projetos. Mãe do casal João Paulo, 9 anos, e Mariana, 8, ela revela que investe seu tempo com eles, brincando, lendo, preparando lanches gostosos e ensinando-lhes o quanto é bom e bonito viver em harmonia com as pessoas. O suporte oferecido pelos pais de Simone é fundamental para que ela consiga criar a dupla sem a presença do pai, com a cara e a coragem de uma mulher que sabe o valor da sinceridade e de dizer o sente em seu coração. Confira.

Origens – Nasci em São Leopoldo, em 14 de setembro de 1969. Aqui cresci e estudei. Meus pais, Armando e Loiva. Eles são o meu tesouro. Tenho uma irmã um pouco mais jovem do que eu, a Fátima. Hoje ela vive em São Paulo.

Relações Públicas - Cursei Relações Públicas na Unisinos. É bem o meu perfil, pois gosto muito da comunicação e interagir com as pessoas. Concluí meu pós em Administração de Recursos Humanos também na mesma instituição. Apesar de ser secretária por muitos anos, meu “lado RP” fala mais alto. Penso em fazer um MBA em Gestão de Projetos.

Experiência no exterior - Em 1997 casei-me e fui morar no Peru. Lá vivi por quatro anos. Voltei em outubro de 2000, quando nasceu meu filho João Paulo. Meu ex-marido é peruano, por isso larguei tudo e fui para o país dele. Lá trabalhei e tive oportunidade de estudar também, foi uma experiência enriquecedora cultural e pessoalmente. As manias que se tem e as tolerâncias que não se tem, são totalmente colocadas em xeque numa situação dessas. Quando voltei para o Brasil, trabalhei em duas grandes indústrias e depois fui chamada por uma petroquímica para atuar como RP. Lá foram mais quatro anos de trabalho com responsabilidade social, uma veia que descobri e que me encantou. A seguir, a Unisinos chamou-me novamente.

Funcionária da Unisinos - Comecei a trabalhar na Unisinos em 1987, e fiquei até final de 1996, também na reitoria. Saí e voltei após 14 anos. No dia 17 de junho de 2010 completou um ano do meu regresso à Universidade, como funcionária. Atuei por dez meses no doutorado e mestrado na área 4, no Direito. Depois, fui transferida para a recepção da Reitoria. Nessa função atual, estou conhecendo  muita gente, algo instigante.

Filhos - Tenho um casal de filhos, o João Paulo, de 9 anos, e a Mariana, de 8. Eles são a coisa mais divina da minha vida. Moramos juntos, próximos aos meus pais. Se não fosse minha família eu não teria como trabalhar e cuidar de duas crianças. Meio turno eles ficam com os avós, e no outro, vão para a escola. À noite e nos finais de semana, é tudo comigo. Ambos participam de um grupo de escoteiros, e adoram essa atividade.
A maternidade é uma nova fase da minha vida. Eu nunca me imaginava mãe, achava que não tinha perfil para isso. Vivo uma maternidade mais realista, que não está só dentro de casa. Nesse sentido, meus filhos são muito companheiros meus. Discutimos bastante, “de igual para igual” como não poderia ser diferente, são muito críticos. Como eles não têm mais o pai por perto, pois ele voltou para o Peru, sou a grande referência deles. Fazemos uma avaliação semanal de como foi nosso comportamento, e nós três dizemos o que foi bom e o que não foi tão bom. Meu filho andava muito rebelde, e aí me questionei o que poderia estar acontecendo. É que as crianças são o reflexo dos pais... Eles perguntavam por que eu estava sempre braba, correndo, porque não ficava mais com eles. Por isso, tentei compreender o que estava havendo. Quando me dei conta que eles sentiam falta de mim porque eu trabalhava muito tempo fora, à noite, viajando por semanas, e quando em casa, não dava a atenção que eles mereciam, resolvi mudar de trabalho e horário.

Orgulho de mãe - Há alguns dias fui pegar o boletim deles, da escola, e a professora disse, feliz, que deles só se podiam falar coisas boas. O João, disse ela, é muito compenetrado. A Mariana vai pelo mesmo caminho. São preocupados com a qualidade do que estão fazendo. Eles tiveram que aprender por eles mesmos, na época em que eu trabalhava na petroquímica e ficava pouco com eles. O João adora ler, e já “devorou” toda a coleção do Harry Potter. A Mariana ainda não gosta tanto de leitura, pois não tem muita paciência.

Lazer – Quando não estamos num parque, ao ar livre, andando de bicicleta, estamos em casa, brincando e fazendo bagunça,cinema é outra pedida. Gosto de uma boa leitura antes de dormir. Sou bem dorminhoca. Felizmente, meus filhos também tiram boas sonecas comigo. Aos domingos, curtimos todos juntos, com meus pais. Passamos muito tempo reunidos, deitados no sofá, vendo TV e jogando videogame. O João e a Mariana ficam loucos comigo porque eu não sei jogar aqueles jogos. “Mãe, tu só perdes!”, eles me dizem... E caímos na risada.

Religião – Sou católica de formação. Acredito em Deus, e rezamos coletivamente em casa. Penso que devemos agradecer pela nossa vida. Minha espiritualidade não exige que eu esteja dentro de uma igreja, mas traz à tona a luz que existe dentro de mim. Certamente estamos na Terra com um propósito, e precisamos ter a humildade de aprender e pedir desculpas. Procuro falar para meus filhos que todos somos espíritos de luz e que estamos nesta vida para brilhar e sermos felizes.

Sonhos – Já realizei muitos dos meus sonhos,a maternidade foi algo que não tinha sonhado, e que realizei. Agora, sonho que eles sejam felizes, que encontrem o caminho deles. Não se trata de bens materiais, viagens, mas algo bem superior. Minha missão na Terra, agora, é guiá-los para que eles atinjam a felicidade, tendo amor por eles próprios e os demais, por que acredito que no momento que somos felizes, seremos profissionais competentes, enfim, pessoas do bem que só querem o bem .

Valores – Não faço aos outros aquilo não quero que façam para mim. Isso é algo que sempre passo para meus filhos. Além disso, não podemos ter medo de demonstrar para as pessoas o que sentimos por elas. Depois, por algum motivo, essas pessoas nos deixam e perdemos a chance de dizer a ela aquilo que gostaríamos. Digo isso a eles a toda hora: é preciso dar muito abraço, muito beijo no Vô e na Vó, nas pessoas que amamos e que são importantes para nós, sem medo de parecer brega.

Atividade física – Raramente faço atividade física. Sorte que sou magra. No verão, mais por fins de socialização, faço hidroginástica. Mas o que gosto mesmo é de andar de pés descalços, na terra.

Cozinha - Não gosto de cozinhar, mas meus filhos adoram o que eu preparo. Aos domingos, é o dia que cozinho o que eles gostam: massas e lasanha. Normalmente, cozinho pouco. Curto mesmo é de fazer pães de queijo, bolo, pastéis e docinhos.

Unisinos – Gosto mais da Unisinos agora. A universidade está mais dinâmica, mais profissional, como as empresas. Hoje há outra dinâmica em relação ao passado. Antes, havia um perfil mais paternalista, que também era gostoso, mas que nos fazia acomodarmos. Hoje, há um constante estímulo ao crescimento, à busca, à qualificação.

IHU – Eu sempre “roubava” a revista do IHU, que acho interessantíssima. Ali há ideias muito instigantes, e o Instituto inteiro vai nessa linha. O IHU faz pensar que as verdades não são apenas aquilo que os outros nos dizem. Nós podemos ajudar a construí-las.

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