Edição 335 | 28 Junho 2010

Gerson Brayer

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Cássio de Almeida e Patricia Fachin

Formado em Análise de Sistema, Gerson Brayer trabalha na Unisinos, há 20 anos, e participou do avanço tecnológico e da introdução da Internet na universidade. Administrador de rede na GSI, ele já participou de vários projetos e diz que, com a experiência, aprendeu “a pensar antes de agir, avaliar todas as possibilidades, trabalhar com afinco no que está engajado e valorizar o que tem”. Na entrevista que segue, Gerson também fala da vida pessoal e do amor e carinho que sente pelas filhas. “São o presente que a vida me deu. Quando todas estão em casa, não consigo caminhar antes de dar um beijo e um abraço nas três”. Confira.

Origens

Nasci em Taquara, em 1969, em um sábado de Aleluia de muito frio. Tenho dois irmãos, sendo que um deles já é falecido, e o outro segue morando em Taquara. Com 17 anos, mudei com meus pais para Novo Hamburgo. Quando concluí o 2º Grau (atual Ensino Médio), saí em busca de trabalho. Novo Hamburgo, naquela época, passava por uma crise muito grande, e acabei procurando emprego na Unisinos, em 1989.

Início da vida profissional

Eu conhecia algumas pessoas na universidade. Antes disso, minha única experiência profissional era em uma empresa de calçados, na qual trabalhei apenas duas semanas. Logo pensei: “Isso não é para mim. É muito pouco.” Decidi buscar algo melhor. Na Unisinos, comecei a trabalhar nos escritórios de informática. Diariamente, me deslocava de Novo Hamburgo para São Leopoldo. Depois, fui morar com alguns colegas de trabalho em uma pensão em São Leopoldo, até o dia que decidi “alugar meu cantinho”.

Unisinos

Com o emprego na Unisinos, comecei a fazer o curso de Análise de Sistemas. Naquele tempo, além da graduação, também havia um tecnólogo na área de informática. Fiquei praticamente 10 anos no laboratório, até chegar a administrador de redes. Quando a Internet passou a ser descentralizada na Unisinos, foram criadas equipes de administradores de rede e de desenvolvedores para Internet, chamados de “webmasters”, em todos os centros de ensino. A Internet estava ganhando força, era algo muito interessante, e optei pela equipe de webmaster, na qual trabalhei por 4 anos. Depois, todos voltaram para a GSI, onde entrei para a equipe de administração de banco de dados. Ingressei, depois, no projeto Sinergia, na equipe de testes de Software, encarregada de fazer a migração das informações da universidade para o novo RP People Soft. A gente virava a noite, passava sábados e domingos nesse processo. Em um determinado momento, tinha trabalhado das 20 horas às 8 da manhã do outro dia. A colega que me substituiria não pode comparecer, e eu continuei até as 4 horas da tarde. Falei para o meu chefe: “vou parar antes que eu faça besteira.”
Sempre procurei fazer coisas diferentes. Na época que não havia computadores em toda a universidade, os laboratoristas auxiliavam nas matrículas, com fichas de papel. Entrei também nos bastidores das formaturas, nas quais faço os cerimoniais hoje. As pessoas não entendem como alguém que fica com a cara enfiada no computador faz esse papel lá na frente.

Aprendizado

Na Unisinos, aprendi muitas coisas. Uma delas é ter paciência. As coisas na universidade acontecem em um ritmo diferente do que vemos no mercado. Convivi com ótimos profissionais, diferentes reitores, pessoas importantes dentro dos processos. Aprendi essa coisa bem jesuíta de pensar antes de agir, avaliar todas as possibilidades, trabalhar com afinco no que está engajado e valorizar o que se tem. Não é em qualquer lugar que se convive com essa estrutura e beleza do câmpus.

Evolução da Universidade

Há 20 anos, o computador na universidade era algo muito rudimentar. A Unisinos acompanhou a evolução tecnológica que houve de lá para cá. Hoje temos uma estrutura interessante, com mais de 4.000 computadores. Estamos um pouco defasados em função do momento. Mas a TI da Unisinos já foi referência para outras universidades, é diferenciada. Os investimentos foram freados para que a Unisinos continuasse se mantendo. Atualmente, na TI, a gente procura atuar mais na ponta, dando realmente apoio ao ensino. Não queremos ser uma caixa fechada, escondida. Estamos buscando abandonar essa visão que tinham no passado, quando a TI ficava escondida naquele prédio e ninguém sabia o que acontecia lá dentro. Buscamos quebrar esse paradigma.

Aperfeiçoamento

Depois da graduação, atuei como professor no Instituto de Informática, nos cursos de extensão, por cerca de dois anos. Fiz um curso de especialização dentro da Universidade na área de rede de computadores e aplicação de Internet e, agora, estou concluindo o MBA em Administração de TI. Os cursos da área de TI na universidade são muito bons. Esse MBA que estou fazendo é um dos melhores da região.

Vida pessoal

Sou casado e tenho três filhas (10, 7 e 5 anos). São o presente que a vida me deu. Quando todas estão em casa, não consigo caminhar antes de dar um beijo e um abraço nas três. Letícia, a do meio, é muito doce e sempre diz que queria ser colada em mim. A mais velha, volta e meia, vem com uma dessas cartinhas que amolece o coração. E a mais novinha é uma espoleta. Nos finais de semana, é a reunião da família. A gente adora ficar em casa, mas sempre que podemos, vamos visitar os avós, a bisa e vamos à praia.

Passatempo

Todas as quintas-feiras, um grupo de colegas e eu jogamos paddle. Também jogo futebol de salão e adoro dar umas pedaladas no final de semana.

Religião

Sou católico de batismo, acredito em Deus, sei que Ele está sempre conosco, mas não sou frequentador da Igreja. Meus pais não tinham essa rotina. Procuro conduzir minhas filhas através da religião, inclusive, a mais velha está fazendo catequese para a Primeira Comunhão. A religião traz questões éticas, histórias e ensinamentos importantes que, no dia-a-dia, não daríamos conta de ensinar. Ir à missa, fazer parte de grupos de jovens é importante para a socialização, para viver outras coisas que não sejam a família e a escola.

Sonho

Já realizei boa parte dos meus sonhos, como a compra da minha casa em um bom bairro de São Leopoldo. Sonho em poder dar uma vida sempre mais e mais tranquila para a minha família. Estamos passando por uma situação um pouco complicada, inclusive financeiramente, em função de um problema de saúde que minha esposa tem. Ela precisou fazer algumas cirurgias, e nos endividamos um pouco, mas estamos buscando melhorar sempre. Espero também subir mais um degrau na vida profissional.

IHU

O IHU é interessantíssimo, principalmente, por trazer uma grande variedade de temas. Procuro ler as notícias do site sempre que sobra um tempinho, e indicá-lo a outras pessoas.

 

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