Edição 230 | 06 Agosto 2007

Editorial

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IHU Online

Ainda precisamos de pai? Da paternidade para a parentalidade

“O conceito de parentalidade amplia não só a noção de paternidade, mas também as funções até então exercidas pelo homem para mais de uma pessoa”, afirma Miriam Pillar Grossi, antropóloga, na entrevista publicada nesta edição da IHU On-Line, que discute as mudanças no exercício da função paterna. Mas, como explica a professora da UFSC, nas últimas décadas as mudanças ocorreram tanto na paternidade quanto na maternidade e é justamente para incluir estas mudanças que se forjou o conceito de “parentalidade”. Por sua vez, Marcelo Spalding Verdi, psicólogo que atua Clínica Interdisciplinar Maud Mannoni, de Porto Alegre, reflete sobre as novas possibilidades de experiência familiar. Segundo ele, simultaneamente às famílias nucleares, que são as entidades constituídas por pelo menos um adulto e seus filhos, existem famílias com configurações diversas - binucleares, homoafetivas, transgeracionais –, além de um número de pessoas que optam por viver sozinhas. “O que tem acontecido – constata - é um enfraquecimento do discurso paterno de um modo geral, uma espécie de crise do masculino, um esgotamento da sociedade patriarcal”. Igualmente, a psicóloga Cláudia Valle Sigaran, coordenadora de ensino da Clínica de Psicoterapia Instituto de Mediação, de Porto Alegre, analisa as novas configurações familiares. “A mudança nos paradigmas da família reflete-se nos vínculos de parentalidade, levando à crença de que a filiação é identificada pela presença de um vínculo afetivo paterno-filial”.

Que conseqüências implicam estas novas estruturas familiares para o bem-estar dos seus integrantes? Como é sua interação com outros segmentos da sociedade? Como podemos entender e trabalhar com estas diversidades e com as variações encontradas no interior das novas famílias? Estas são algumas das perguntas formuladas pelas psicólogas Marilene Marodin e Tânia Vanoni Polanczick, da Clínica de Psicoterapia e Instituto de Mediação. Andréia Seixas Magalhães, psicóloga e professora da PUC-Rio, discordando da idéia de uma “sociedade sem pai”, ressalta que a construção da masculinidade também é transmitida pelas mães,  a partir do modo como elas a percebem. Desafiado pela IHU On-Line a refletir sobre a imagem de “Deus Pai”, o teólogo André Musskopf, pesquisador na área de Teologias GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros), Teoria Queer e Estudos de Gênero e Masculinidade, considera que “falar de Deus como Pai não é necessário nem imprescindível, embora possível. As perguntas que se colocam são: ‘Para quem esta metáfora funciona?’; “Para que serve social e politicamente?”; “Quem decide, escolhe e sanciona as formas ‘ortodoxas’ de falar de Deus?”. Sem dúvida, trata-se de uma reflexão instigante.

“Nossa economia é gerida hoje pelos ‘rentistas’, que têm excedente de renda aplicada no mercado financeiro”, afirma, com autoridade, Bernardo Kucinski, jornalista e professor da Universidade de São Paulo, analisando a política econômica do governo Lula. Trata-se de uma “uma política monetária e cambial totalmente inconsistente e que sangra o Estado, deixando-o sem recursos”. A íntegra da entrevista pode ser lida nas páginas desta edição.

Rudolf von Sinner, pró-reitor de Pós-graduação e Pesquisa e professor nas Faculdades EST, em São Leopoldo, e pastor da IECLB, reflete sobre a possibilidade de uma teologia pública. Segundo ele, que participou, em maio deste ano, da criação da Rede Internacional de Teologia Pública, em Princeton (EUA), “na América Latina, ainda há pouca reflexão sobre o tema. O Instituto Humanitas Unisinos – IHU - é a única instituição no Brasil, segundo meu conhecimento, que o utiliza de forma explícita. Mas tendo o País e o continente grande experiência no desenvolvimento de conceitos teológicos relevantes para assuntos públicos, penso que a exploração deste conceito, em interação com outros países, poderia ser frutífera e oportuna”.

A todas e todos uma ótima leitura e uma excelente semana!

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