Edição 223 | 11 Junho 2007

Marco Antonio Dall'azen

close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

IHU Online

Aos 50 anos, Marco Antonio Dall'azen tem uma rotina repleta. É engenheiro em Segurança do Trabalho, professor convidado da Pós-Graduação em Engenharia do Trabalho, além de auditor interno de Gestão Ambiental. Nascido em Encantado, no interior do Rio Grande do Sul, Marco morou em diversas cidades antes de adotar São Leopoldo, na região metropolitana de Porto Alegre, como lar. Marco Antonio, além de trabalhar na Universidade, cursa atualmente o mestrado em Engenharia Ambiental e ainda consegue o tempo para o seu esporte favorito: fazer trilha de motos. Conheça um pouco mais de Marco Antonio Dall'azen na entrevista a seguir.

 

Origens - Nasci em Encantado, interior do Rio Grande do Sul. Tenho quatro irmãos. Meu pai trabalhava com montagens industriais e viajava muito. Acabamos nos mudando muito. De Encantado fomos para Lajeado, Bento Gonçalves, Veranópolis e Porto Alegre.

Infância - Conheci muitas pessoas em função das inúmeras mudanças de cidade, o que é um aspecto positivo. O aspecto negativo é que eu não conseguia manter as minhas amizades. Às vezes, recordo de alguns amigos revendo fotos antigas, mas, infelizmente, vamos perdendo o contato.

Estudos - Era difícil para se adaptar às novas escolas. Estudei em colégio de freiras, de irmãos maristas e em escolas públicas.

Juventude - Eu não praticava muitos esportes, pois usava óculos: nem futebol eu jogava. Tinha uma vida mais reservada. Hoje tenho uma vida mais social e mais agitada.

Início - Comecei o curso superior, quando ainda morava em Veranópolis, na Universidade de Caxias do Sul. A universidade tentou migrar os alunos de engenharia plena para engenharia operacional. Eu queria estudar engenharia plena, então saí à procura de outras universidades. Interessei-me pela Unisinos e prestei vestibular. Quando comecei na Universidade, minha família se mudou para Porto Alegre. Mais tarde, eles voltaram para Encantado e eu fiquei morando em São Leopoldo, em pensões e repúblicas.

Engenharia Mecânica - Tive influência da minha família na escolha do curso. Meu avô era ferreiro e meu pai trabalhava com montagens industriais. Infelizmente, eu nunca consegui acompanhá-lo porque não tinha tempo devido ao estudo. Eu sempre pensei em fazer Veterinária ou Agronomia, mas depois, por influência deles, eu mudei para Engenharia Mecânica. Formei-me em 1985 na Unisinos. Quando já estava trabalhando, me interessei pela área de Segurança do Trabalho, e em 1986 fiz a pós-Graduação em Segurança do Trabalho na Universidade. Isso é um orgulho porque hoje eu sou professor convidado na pós-graduação em Engenharia de Segurança na Unisinos.

Experiência - Minha família voltou para Encantado e eu fiquei morando em São Leopoldo, em pensões e repúblicas. Nessa época, eu só estudava e fazia estágios. Nas repúblicas, dividíamos as responsabilidades da casa entre os estudantes moradores. Fazíamos duplas que tinham tarefas semanais, como varrer a casa ou fazer comida. Éramos bastante integrados com estudantes de outras repúblicas. Tínhamos festas nas repúblicas ou aquelas promovidas pelos DA’s ou pelo DCE.

Trabalho - Minha primeira experiência de trabalho foi numa empresa em que meu pai trabalhava, onde eu fazia orçamentos de equipamentos. Meu primeiro estágio foi em uma empresa na implantação do Pólo Petroquímico. Também estagiei na Sthil, onde fui efetivado. Foi minha primeira grande experiência em uma multinacional, trabalhando na área de manutenção. Essa experiência ajudou muito na minha carreira, pois lá passei a conhecer todos os setores e processos de uma grande empresa. Ao terminar a pós-graduação, fui procurar emprego na área de segurança do trabalho. Comecei na Iochpe-Maxion, em Canoas, onde tive uma boa experiência, mas também um grande desafio. Eu iniciei em uma empresa com 1.700 funcionários, com um número muito elevado de acidentes. Foi positivo, pois consegui implementar muitas medidas que diminuíram o número de acidentes. Também podíamos interagir com profissionais de outras unidades da companhia, quando tinha a oportunidade de conhecer outras fábricas.

Mudança - Casei-me e escolhi São Leopoldo para morar, mas continuava trabalhando em outras cidades. Vi o anúncio no jornal de uma vaga para engenheiro de segurança da Unisinos. Num primeiro momento, não fui selecionado. Depois de três meses, fui chamado novamente. Hoje, sou engenheiro da Segurança do Trabalho na Unisinos. Trabalho com a prevenção de acidentes e promoção da saúde. Também atuo como auditor interno na área de Gestão Ambiental. Faço parte da equipe do Sistema de Gestão Ambiental que implementou e mantém a certificação na ISO 14001. Comecei como professor em um curso de formação de Técnicos em Segurança do trabalho e constantemente era convidado para fazer palestras sobre Prevenção de Acidentes em diversas disciplinas de diferentes cursos na Universidade. Mais tarde, fui convidado para ser professor na pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho na Unisinos. Esta experiência se mostrou diferente e desafiadora, pois no pós leciono para profissionais que já estão no mercado, em multinacionais, com bastante experiência em suas áreas de atuação. Isso me motiva a estudar e ler mais sobre os assuntos tratados.

Casamento - Sou casado com a Graziela, uma grande batalhadora e companheira, descendente de italianos como eu. Conheci-a somente quando já morava em Porto Alegre, apesar de ela ser também de Encantado. Um dia, eu, minha mãe e meu irmão decidimos ir para Encantado no carnaval. Aconteceu um contratempo: meu pai tinha viajado e levado consigo a chave do carro que ficara em casa. Tive que chamar um chaveiro para fazer uma nova chave do carro. Em Encantado, no carnaval, a conheci e começamos a nos corresponder. Namoramos por cinco anos e nos casamos. Moramos hoje em São Leopoldo e temos um filho, Alberto, de 17 anos.

Lazer - Gosto de um esporte um tanto diferente para um engenheiro de segurança devido ao risco associado a ele: faço trilhas de motos. Faço junto com meu filho, o que é um motivo de orgulho e compartilhamento de alegrias e emoções fortes. Nos sábados à tarde, vamos para o meio do mato, ter contato com a natureza e também um pouco de adrenalina. Fazemos passeio com desafios, mas mantendo uma postura adequada ao risco. Gosto muito também de cozinhar (algumas receitas “copiadas” do Anônimos Gourmet, com algumas adaptações) e outras um pouco mais elaboradas: fiz, inclusive, um curso sobre preparação de Paelha aqui na Gastronomia de Unisinos, e já preparei este prato. Também gosto de assistir bons filmes e, de vez em quando, curtir um ambiente tipo Sargent Peppers ou Abbey Road.

Livros - Atualmente, estou lendo O caçador de pipas, mas tenho lido muitas coisas. Gosto de ficção, como Anjos e demônios e O código da Vinci. Também leio muitos artigos técnicos em função do mestrado.

Fé - Sou católico praticante. Hoje em dia, verificamos uma reaproximação entre as Igrejas Católica e Evangélica Luterana. Tenho amigos que freqüentam esta última e que nos convidaram para um encontro de casais de sua igreja. Temos um bom convívio também com os fiéis da Igreja Evangélica.

Futuro - Após a conclusão do Mestrado, quero realizar o sonho de ser professor efetivo de uma ou duas disciplinas na graduação da Unisinos e continuar na pós-graduação em Engenharia de Segurança.

Unisinos - Gostei da Universidade desde a graduação. É uma instituição que valoriza muito o ser humano. Em nosso setor, conseguimos ter um convívio muito interessante, com uma atmosfera de congregação de esforços de profissionais de diferentes áreas, na lógica da interdisciplinaridade.

IHU - Tenho contato com o Instituto através da revista e dos eventos promovidos, que envolvem a comunidade em geral.

 

Últimas edições

  • Edição 546

    Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

    Ver edição
  • Edição 545

    Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

    Ver edição
  • Edição 544

    Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

    Ver edição